A reação dos Estados Unidos ao devastador tsumami de dezembro na Ásia mudou as opiniões sobre o país em várias partes do mundo islâmico, disse na terça-feira o presidente George W. Bush.
- Acho que o mundo está começando a ter uma impressão diferente (dos Estados Unidos) da América - disse Bush durante reunião na Casa Branca com seus dois antecessores, Bill Clinton e George Bush, seu pai. Ambos lideram uma iniciativa para angariar fundos para as vítimas.
O governo Bush luta para reverter uma onda de antiamericanismo, especialmente entre os muçulmanos, que é resultado da ocupação do Iraque e da suposta tendência a apoiar Israel no conflito contra os palestinos.
Por isso, a Casa Branca viu no tsunami uma oportunidade de mostrar ao mundo um lado mais caridoso dos EUA. O desastre provocou a morte ou desaparecimento de cerca de 300 mil pessoas na Indonésia, no Sri Lanka, na Tailândia, na Malásia, em Myanmar, nas Maldivas, em Bangladesh e no leste da África. Centenas de milhares de pessoas perderam suas casas.
Bush prometeu 950 milhões de dólares para ajuda humanitária e reconstrução dos países asiáticos devastados pelo tsunami, um acréscimo de 600 milhões de dólares em relação ao dinheiro já alocado para a região.
Os ex-presidentes, que acabam de voltar de uma viagem aos países atingidos, disseram a Bush que quase 1 bilhão de dólares do setor privado já foi entregue às vítimas. Eles citaram uma recente pesquisa feita na Indonésia que apontou uma "mudança dramática" da mentalidade com relação aos Estados Unidos.
- Estou tocado com o fato de o bom povo da Indonésia, por exemplo, ver uma América diferente agora - disse o presidente Bush. - Eles vêem um país que evidentemente vai defender a nossa segurança, mas um país que também se importa profundamente com as pessoas que sofrem, independentemente da sua religião, que quando encontramos uma criança muçulmana sofrendo choramos como quando encontramos outra criança que sofre.
Clinton disse que ainda há muito trabalho por fazer e que os Estados Unidos devem "ir até o fim". "Quando você se relaciona com as pessoas de forma humana, envia uma mensagem de que a nossa humanidade comum importa mais do que as nossas diferenças", afirmou. "E quando acreditamos nisso, a América ganha."