Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Para Annan, segurança não basta para salvar Iraque

Quinta, 09 de Dezembro de 2004 às 17:04, por: CdB

O Iraque precisa se empenhar mais em curar suas feridas e retomar o crescimento econômico, ou do contrário as eleições não vão trazer a estabilidade e legitimidade esperadas, disse na quinta-feira o secretário-geral da ONU, Kofi Annan.

"A transição política deveria ser inclusiva, para curar as feridas do Iraque ao invés de prolongar seu sofrimento", disse Annan em um relatório ao Conselho de Segurança da ONU. "Os iraquianos precisam de garantias de que o processo de transição está nos trilhos, permitindo que eles vejam luz no fim do túnel."

"Isso exige progressos simultâneos em três áreas que se reforçam mutuamente: segurança, política e economia", disse ele. "Essas três dimensões deveriam ser tratadas ao mesmo tempo com igual atenção."

Por causa da violência e da insurgência contra a ocupação norte-americana, muitas empresas e organizações internacionais estão retirando seus funcionários do país, o que atrasa o processo de reconstrução.

O governo interino do Iraque também é criticado por não ter se aproximado de algumas facções, que ameaçam boicotar as eleições de janeiro.

A ONU, sob pressão dos Estados Unidos para se envolver mais, elevou o teto de seus funcionários no Iraque para 59, dos quais 25 devem ajudar na organização das eleições, segundo fontes da entidade.

Os funcionários estrangeiros da ONU deixaram o país em 2003, depois do atentado contra sua sede, que matou 22 pessoas, incluindo o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello.

O relatório de Annan não fez críticas nem ao governo interino nem aos Estados Unidos. Em vez disso, o texto se concentrou em modificações políticas que o secretário-geral julga necessárias.

Ele afirmou que, embora a ONU esteja colaborando ao máximo na preparação das eleições de 30 de janeiro, o processo "também exige um ambiente político e de segurança propício, incluindo a participação de todos os setores da sociedade e de todas as áreas do país", afirmou.

Annan irritou Washington e parte do governo interino em novembro, quando anunciou que a ofensiva iraquiano-americana contra os rebeldes de Falluja poderia dividir ainda mais o país e ameaçar as eleições.

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