Muitas pessoas foram mortas a tiros por forças policiais que não seguem os padrões da ONU de só usar força letal apenas quando necessário e em legítima defesa, comunicou a Anistia Internacional nesta segunda-feira. Dentre outros países, o grupo de direitos humanos destacou o Brasil, onde os assassinatos realizados por policiais cresceram muito em 2003.
Diversos testemunhos mostraram que a discriminação da polícia do Rio de Janeiro muitas vezes acabou em mortes de civis. Outro país destacado pelo grupo foi a Jamaica, onde disseram que a polícia mata em média 140 pessoas por ano na última década. "Os padrões internacionais existem para controlar o uso de armas e outros métodos de força da polícia - mas em muitos países, estas regras não estão sendo seguidas", segundo a Anistia.
A nova força policial do Timor Leste, treinada pela ONU, possui novas armas mas o treinamento foi focado em como atirar ao invés de como ameaçar e exercitar coibições, afirmou a Anistia. Em um comunicado, o grupo pediu aos países que treinassem suas polícias e que incorporassem os padrões internacionais na lei local. Acrescentou ainda que os países devem observar as leis dos países compradores antes de exportar armas.
Policiais vêm matando civis ilegalmente em mais de 80 países entre 1997 e 2000, segundo a Anistia. Os assassinatos da polícia pioraram o ciclo de violência, deteriorando a confiança da população e tornando mais improvável que os civis queiram abrir mão de suas armas.