Rio de Janeiro, 23 de Janeiro de 2026

Para analistas, visita do papa não revigora religião

Segunda, 14 de Maio de 2007 às 08:19, por: CdB

Embora, durante a visita de Bento 16 ao Brasil, tenha ocorrido uma tentativa de aproximação dele com o público, com aparições freqüentes na sacada do mosteiro de São Bento e acenos aos fiéis, religiosos e acadêmicos não acreditam que o desempenho do pontífice durante a visita será determinante para reacender o catolicismo do país.

- A gente não tem ilusão de que a vinda do papa terá como efeito imediato mudar uma situação - disse  em Aparecida, o arcebispo de São Paulo, D. Odilo Scherer. - Nem o papa pensa isso - acrescentou.

Eliane Moura, professora do Departamento de História da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), ressalta que grande parte dos compromissos do papa, como o encontro com bispos na Catedral da Sé e com jovens católicos no Pacaembu,  refletiu a tentativa de intensificar o "espírito missionário" dos padres e leigos para difundir a religião.

Segundo ela, é o sucesso ou não desse chamado, mais do que o carisma do papa ou a falta dele, que vai determinar se a visita terá algum efeito prático para o catolicismo no país.  - A notícia da visita cai no esquecimento -.

Essa evocação ao "espírito missionário", para ela, põe por terra a tese de que o papa estaria em busca de menos e melhores fiéis. A opinião é corroborada em parte pelo historiador Boris Fausto. Para ele, o papa Bento 16 quer ver o catolicismo se expandir, mas, por outro lado, coloca em primeiro lugar o fortalecimento dos princípios da Igreja.

Outros especialistas também minimizam o fato de os valores pregados por Bento 16, como a castidade e a condenação à camisinha,  representarem um fosso com a realidade. Para o sociólogo Luiz Alberto Gomes da Silva, as palavras do papa não são tão importantes, e sim a sua imagem. - As pessoas choram ao ver o papa, e não ao ouvi-lo, elas vêm de longe para receber a bênção, não para receber ensinamentos - afirma.

- O que conta mais é o que o papa faz, e não o que ele fala, até por que ele não está dizendo nenhuma novidade, nada que não esteja no Evangelho - afirma Pedro Ribeiro de Oliveira, sociólogo e assessor das CEBs (Comunidades Eclesiásticas de Base). - O que as pessoas pensam é que o papa está entre nós e nos ama, é esse o efeito objetivo da visita do papa para o grande público -.

Para Oliveira, a igreja molda muito pouco o clima moral da sociedade. - Sua fala é, de certa maneira, confirmada por recente pesquisa do Datafolha: apenas 9% dos católicos dizem ter mudado hábitos por causa de sua religião -.

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