Michael Schumacher, da Ferrari, teve que esperar na fila para cumprimentar o novo campeão da Fórmula 1, Fernando Alonso, no domingo. O jovem piloto da Renault já estava ao telefone com o Rei da Espanha. O mais jovem campeão na história da F1, que mal completou 24 anos, concentrou toda a atenção ao terminar em terceiro lugar no Grande Prêmio do Brasil e erguer a coroa faltando duas corridas para o final do campeonato.
Schumacher, o mais bem-sucedido piloto que o esporte já viu, com sete títulos e 84 vitórias, foi eclipsado pelo espanhol de fala mansa, que sacudiu os punhos no ar ao cruzar a linha de chegada. Como proclamava a camiseta do mecânico número um de Alonso, era o caso de perguntar "Schumacher quem?". O natural de Oviedo, no norte da Espanha, realizou seu sonho e saboreou seu triunfo.
Depois de estacionar seu carro, ele se ergueu e gritou de satisfação antes de atirar beijos à platéia e desaparecer no meio de um bando de mecânicos que comemoravam.
- É ótimo. Com certeza é um sonho que virou realidade para mim. Eu vim de um país sem tradição na Fórmula 1 e luto sozinho, basicamente, já que não recebi apoio de ninguém em minha carreira. Eu cheguei na F1 graças aos resultados em categorias anteriores. Agora eu penso que este título é o máximo que posso conquistar na minha vida e na minha carreira, e é graças a três ou quatro pessoas, não mais que isso - disse ele, quando perguntado sobre como se sentia ao ser anunciado pela primeira vez como Fernando Alonso, campeão do mundo.
Ascensão meteórica
A carreira de Alonso tem sido meteórica para os padrões da F1, saindo de um começo humilde na Minardi em 2001 para se tornar o primeiro espanhol a vencer uma corrida e o campeonato, mas ele dá de ombros diante da sugestão de que é o rosto de uma nova era.
- Cada ano, cada carro é diferente, e às vezes é o meu nome nos jornais e às vezes é o de Kimi (Raikkonen), e às vezes o de (Jenson) Button. Este ano foi o meu ano, sem problemas e com a sorte sempre comigo... tudo veio ao meu encontro este ano, mas nas próximas corridas e no próximo ano talvez seja diferente - comentou.
Alonso liderou desde a segunda corrida do ano, na Malásia, mostrando uma maturidade surpreendente, assim como uma agressividade contida, à medida que a temporada progredia e os avanços de Raikkonen iam sendo solapados pelo desempenho sofrível do carro da McLaren. O espanhol, que declarou não ter planos de voltar para casa antes da última corrida na China no mês que vem, não demonstrou sinais de nervosismo antes da corrida em Interlagos, em que chegou em terceiro.
- A noite passada eu dormi como todas as noites, e esta manhã tomei café e tive uma reunião para discutir a estratégia da corrida. E dormi de novo antes da corrida. Eu não estava nem um pouco nervoso este fim de semana. Mas obviamente estou imensamente feliz agora, e pronto para lutar com um pouco menos de cautela nas corridas finais e curti-las um pouco.
Se o espanhol tem uma vantagem inalcançável de 23 pontos, por outro lado a Renault permitiu que a McLaren tomasse a dianteira na corrida dos construtores em dois pontos.
- Eu sou o campeão do mundo mais jovem da Fórmula 1, e agora preciso encontrar novos objetivos porque este está ultrapassado - concluiu.