Rio de Janeiro, 20 de Fevereiro de 2026

Para além dos arautos da desdita

Por Lula Miranda: Os pessimistas que me perdoem, sei que ainda há muito o que fazer, mas vislumbro um futuro promissor para o país. Isso, claro, se os engenheiros da destruição e os sabotadores encastelados na grande imprensa, e até mesmo no Banco Central, deixarem. (Leia Mais)

Sábado, 29 de Setembro de 2007 às 10:24, por: CdB

Se você é um sujeito de classe média, como eu, mas com a agravante condição de ser leitor ou assinante da Folha de S.Paulo, do “Estadão” ou do Globo, e leva a ferro e fogo o que (des)informam esses veículos, todos os dias, aos seus olhos, são pardacentos, frios, chuvosos, tenebrosos até. Tudo lhe parece estar irremediavelmente perdido. O pessimismo já lhe deixou cético e prostrado. Você vive imerso num desalento que imobiliza. Já não tem entusiasmo para muita coisa. Já não acredita nos homens, já não acredita em mais nada – tornou-se um cético empedernido. Talvez por isso nem acredite, se eu lhe disser, que você pode enxergar a realidade que lhe cerca com outros olhos – e não com os olhos dos outros. Talvez, quem sabe, se você tentasse, ao menos, limpar um pouco as lentes com as quais enxerga o mundo. Quem sabe enxergasse as coisas de modo um pouco diferente.

Tenho observado ultimamente, com uma dose de apreensão e preocupação, um clima de intolerância que pouco a pouco vai se instalando, sorrateiro, na sociedade. Algumas pessoas estão mais agressivas, se irritam por pouco – na linha “pavio curto”. Lembram do filme “Um dia de fúria”, com Michael Douglas no papel principal? É por aí. Desconfio seriamente que esse clima é decorrente, em grande medida, dessa espécie de “comoção negativista” que certos (de)formadores de opinião martelam diuturnamente nos “jornalões” e nas TVs.

Em sua pregação “apocalíptica” anunciam que as instituições estão “podres”, “falidas”. Que no Senado e na Câmara só tem ladrão. Julgam e condenam a todos de modo peremptório, definitivo, precipitado – como um verdugo. Associam ao nome do presidente da Republica epítetos nada respeitosos – isso para dizer o mínimo, mas é cada impropério... Parece um vale-tudo da maledicência, do desrespeito, do pessimismo. Parece que tudo vai mal, que tudo está irremediavelmente perdido.

Sabemos que não é esse exatamente o espelho da realidade. Procuro ver a realidade com meus próprios olhos; ouvir o “clamor” que vem das ruas com meus próprios ouvidos. Pensar com a minha cabeça e formar juízos de valor a partir dos meus próprios valores – na dúvida, busco referência nas palavras de jornalistas mais isentos e ponderados, lastreados no bom senso e no pluralismo, e, por último, nas palavras e obras dos pensadores que a cultura ocidental (e universal) nos legou.

Leio muito pouco, quase nada (só o indispensável), os chamados “jornalões”, pois privilegio como fonte de informação a mídia alternativa: sites e blogs de jornalistas e veículos desvinculados dos grandes grupos de comunicação. Não confundo jamais opinião pública com opinião publicada, e não dou muita atenção e crédito aos “intermediários” nessa mediação da observação da realidade circundante – os aqui chamados (de)formadores de opinião.

Gosto de conversar com os chamados, por certos membros da elite, “subalternos” – aqueles indivíduos, quase sempre tratados como “invisíveis”, que nos servem cotidianamente e servem, também, de alicerce à pirâmide social: porteiros, vigilantes, faxineiros, balconistas etc. É aí que as supostas e intangíveis melhorias na economia ganham vida ou se mostram como algo concreto, do mundo real. Para além da PNAD, da econometria ou das projeções econômicas dos tecnocratas e dos “especialistas” e “analistas” a serviço do governo ou da grande imprensa. Portanto, frise-se, para além dos mercadores ou arautos de desgraças em que se constituíram alguns jornalistas da grande mídia.

Um porteiro, meu conhecido, me diz que conseguiu no ano passado terminar a construção do “barraco” dele, num bairro qualquer na periferia da cidade. A obra passara vários anos parada, pois, segundo ele, o saco do cimento era o dobro do preço nos anos FHC . Estava radiante, feliz da vida, uma vez que estaria livre, de uma vez por todas, do famigerado aluguel.

Um dos vigilantes do prédio onde trabalho também está feliz da vida. Pediu-me, com

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