A antecipação da corrida eleitoral para a Presidência da República pode colocar em risco a governabilidade da administração de Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação foi feita pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), nesta terça-feira.
"Sou contra antecipar o processo eleitoral. Isto encurta o atual governo e dificulta a governabilidade", disse Alckmin a uma platéia de políticos e empresários, reunidos na 18a edição do Fórum da Liberdade, em Porto Alegre.
O governador paulista é um dos nomes tucanos para a disputa presidencial. Ele considerou viável a formação de uma aliança com o PFL, mas desdenhou da avaliação feita na véspera pelo prefeito do Rio, César Maia, de que sua candidatura estaria em declínio. Maia propõe que os dois partidos testem seus nomes e optem pelo que estiver em melhores condições, em março de 2006.
"A priori, ninguém deve ser excluído", disse o governador a jornalistas.
Alckmin reiterou que considera precipitado fazer a discussão eleitoral ainda neste ano. Na sua opinião, o momento seria para "sair da paralisia" e "pisar no acelerador".
Mesmo sem falar abertamente em candidatura, Alckmin aproveitou a conferência que fez no fórum para demonstrar os resultados do ajuste fiscal realizado em São Paulo.
Fazendo várias referências a Mário Covas, ex-governador paulista morto em 2001, o tucano apresentou um conjunto de medidas e enfatizou a eficiência administrativa como requisito básico no gerenciamento do Estado.
"Foram dez anos ininterruptos de ajustes", disse Alckmin, que não poupou a política econômica federal. Na sua opinião, o controle da inflação não poderia estar restrito à intervenção sobre a taxa de juros.
"É uma mesmice. Assim, não precisa de política, é só colocar no piloto automático", disse o tucano.