O desenrolar no Congresso das investigações sobre o suposto dossiê com informações sobre os gastos com cartões corporativos e fundos de provisão (contas B) do governo Fernando Henrique Cardoso, elaborado pela Casa Civil da Presidência da República, está na dependência dos resultados do inquérito em andamento na Polícia Federal. A opinião do líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), para quem a prorrogação dos trabalhos da CPMI que investiga o uso dos cartões corporativos "será inócua".
No seu entender, a base do governo, que tem maioria na comissão, "não concordará com a prorrogação". Para garantir a continuidade das investigações, pela CPMI, é necessário um requerimento à Mesa Diretora do Senado com 171 assinaturas de apoio de deputados federal e de 27
senadores.
Para Agripino, os trabalhos da CPMI foram prejudicados sempre pela deliberada posição da base governista em não permitir a investigação.. Sobre a ausência de parlamentares da própria oposição, na reunião de quinta-feira passada, o senador questionou: "Para que? Para ser derrotada mais uma vez depois da vigésima votação? Não é preferível, em nome do bom senso, aguardar elementos da Polícia Federal, que já aponta alguns elementos importantes para, em função desses elementos, encostar aí sim a base do governo no canto da parede?".
O líder do DEM é contra a CPMI votar o relatório final que deverá ser apresentado pelo relator, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), na quinta-feira, antes da conclusão do inquérito da Polícia Federal. "Se votar o relatório antes das conclusões da Polícia Federal, o relatório será votado sobre pendências injustificáveis e que podem ser definitivas para o esclarecimentos dos fatos".
O sub-relator de sistematização da comissão de inquérito, deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP), autor do requerimento de criação da CPMI, diverge da opinião do líder do DEM no Senado. Para ele, esta não é uma questão partidária, mas a discussão de "desvio de dinheiro público". Hoje, ele protocolou no Ministério Público uma representação por improbidade administrativa contra a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e outras 15 pessoas que trabalham na Presidência da República
Para Agripino, prorrogação da CPI dos Cartões Corporativos "será inócua"
Segunda, 26 de Maio de 2008 às 16:47, por: CdB