Rio de Janeiro, 12 de Janeiro de 2026

Para acabar com a CPMF só um novo imposto, diz secretário

Segunda, 26 de Março de 2007 às 07:47, por: CdB

O secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, João Bernardo Bringel, reagiu com dureza à campanha Xô, CPMF, lançada na última sexta-feira por empresários paulistas.

Bringel desafiou os mentores da campanha a apontarem uma alternativa à Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, imposto responsável por uma arrecadação de R$ 32 bilhões a cada ano.

- Ficaria satisfeito se todos os que estão clamando pelo fim da CPMF também indicassem quais são as despesas, quais são os benefícios sociais e quais são os investimentos que devem ser deixados de fazer. Gostaria que eles indicassem como é que nós vamos financiar a emenda constitucional da Saúde sem a CPMF, qual a receita que vamos colocar no lugar -, desafiou.

Bringel disse que para pôr fim à CPMF seria necessário criar um novo imposto, pois o Orçamento Geral da União não pode prescindir dessa receita.

- Do ponto de vista de redução de carga tributária, só é possível diminuir a receita dizendo qual é a despesa que você vai reduzir. Contamos hoje com a CPMF para pagar as contas. Do ponto de vista fiscal, precisamos de uma receita - ou da CPMF ou de outra equivalente -, lembrou, ao ressaltar que as despesas obrigatórias (salários, educação, saúde) atulamente consomem 92% do Orçamento.

Ao rebater as críticas de que o atual governo seria perdulário, Bringel atribuiu o tamanho da carga tributária ao resultado de políticas adotadas no passado. Ele descreveu três momentos da história da economia brasileira responsáveis pela atual carga.
 
- Num primeiro período, o Brasil financiou o seu desenvolvimento e o funcionamento do Estado mediante o seu crescente endividamento externo (em referência ao período que vai do governo Juscelino Kubitschek até a ditadura militar). Após a crise de crédito, do petróleo, o país passou por um momento que redundou na venda dos ativos do Estado (em referência às privatizações iniciadas no governo Fernando Collor e concluídas no governo Fernando Henrique Cardoso) -, explicou.

E em alusão ao atual estágio, concluiu que "se não há mais crédito ou ativos e é preciso pôr o Estado para funcionar e investir, não vai me restar alternativa a não ser encolher o Estado ou aumentar o tributo".

A CPMF tem prazo para terminar em dezembro. Até lá, o governo precisa apresentar soluções para cobrir a arrecadação anual do imposto. Bringel, no entanto, não quis revelar quais são as propostas em análise para serem encaminhadas ao Congresso Nacional.

Ele lembrou, no entanto, que a proposta passará por um amplo debate com a própria sociedade.

- Qualquer proposta do Poder Executivo será apreciada pelo Congresso, pois é uma emenda constitucional -, disse.

Tags:
Edições digital e impressa