A homossexualidade é patológica e inaceitável, mas não vai contra a vontade de Deus, segundo pesquisa realizada pela Igreja Católica junto a padres brasileiros.
Cerca de 62% dos 758 religiosos entrevistados discordam da afirmação de que a prática ``é uma negação da vontade de Deus'', disse Luiz Alberto Gomez de Souza, diretor do Centro de Estatísticas Religiosas e Estudos Sociais, que realizou o estudo.
Mas 68% dos padres consideram que a homossexualidade é uma doença que deve ser tratada, e 63% a vêem como uma forma inaceitável de sexo.
A pesquisa também mostrou que um número significativo de padres quer regras mais flexíveis para si mesmos no que diz respeito ao sexo. Cerca de 41% deles defendem que o celibato seja opcional, enquanto 48% consideram o dogma importante.
Além disso, 41% dos padres admitiram ter tido relações afetivas -- não necessariamente sexuais -- com mulheres após a ordenação. A pesquisa não investigou a orientação sexual dos padres.
``Alguns bispos ficaram um pouco chocados'', disse Souza depois de apresentar a pesquisa na assembléia anual da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que a encomendou.
O arcebispo de Brasília, dom João Braz, considerou a pesquisa ``esclarecedora e interessante''. ``Ela nos surpreendeu em alguns aspectos, mas também nos deixou contentes, porque 94% dos entrevistados se disseram felizes com seu trabalho como ministros (religiosos),'' afirmou.
A pesquisa foi feita no ano passado por meio de questionários e envolveu cerca de 4,6% dos 16.600 padres católicos do Brasil, com margem de erro de 4 pontos, segundo Souza. Ela será publicada de forma completa no futuro.
Cerca de 73% dos 175 milhões de brasileiros são católicos.