Rio de Janeiro, 17 de Outubro de 2026

Paquistão quer acordo nuclear após acerto entre EUA e Índia

Quinta, 02 de Outubro de 2008 às 07:11, por: CdB

O acordo nuclear entre os Estados Unidos e a Índia deve abrir caminho para um acordo similar com o Paquistão, disse o primeiro-ministro paquistanês na quinta-feira. O Congresso norte-americano aprovou o acordo na quarta-feira, encerrando uma proibição de tratados sobre o comércio de itens nucleares com a Índia que já durava três décadas, o que liberou bilhões de dólares em investimentos e aproxima a maior democracia do mundo ao Ocidente.

Críticos dizem que o acordo provoca prejuízos graves aos esforços para conter a proliferação de armas nucleares, já que a Índia poderá importar combustível e tecnologia nuclear mesmo tendo testado armas nucleares e não tendo assinado o Tratado de Não-Proliferação (TNP).
No Paquistão, que tem armas atômicas, o primeiro-ministro Yousaf Raza Gilani disse que o acordo não deve ser visto como motivo para preocupação.

– Vocês não precisam se preocupar com isso – disse Gilani a repórteres em sua cidade-natal, Muiltan, quando questionado sobre o acordo.

O Paquistão teve três guerras contra a Índia desde a sua independência, em 1947, e quase entrou em guerra pela quarta vez em 2002. A relação entre os dois países melhorou desde que começaram uma negociação de paz, no começo de 2004.

– O Paquistão agora terá uma justificativa para exigir um acordo similar, já que não queremos discriminação – disse Gilani.

– O Paquistão também vai fazer novos esforços para um (acordo) nuclear civil e eles terão de nos acomodar – completou.

O Paquistão testou armas nucleares em maio de 1998, em resposta aos testes feitos pela Índia. Assim como o vizinho, o Paquistão também não assinou o TNP. O Paquistão é um dos países que mais recebem ajuda dos Estados Unidos, e é um grande aliado da campanha norte-americana contra militantes.

Mas, para os olhos norte-americanos, o Paquistão não pode ser tratado como a Índia porque não tem um histórico de democracia e não-proliferação nuclear.

Uma rede liderada por Abdul Qaader Khan, cientista considerado pai da bomba atômica paquistanesa, contrabandeou tecnologia nuclear que permite a produção de bombas para regiões instáveis, antes de ser desarticulada em 2004.

Tags:
Edições digital e impressa