O governo do Paquistão pôs 2 mil policiais e soldados nas ruas de Queta, cidade-natal de Mir Aimal Kasi, que teve a sentença de morte - pelo assassinato de dois agentes da CIA, o serviço secreto americano - executada nesta sexta-feira, nos Estados Unidos. O governo teme que a morte de Kasi, também conhecido como Aimal Khan Kansi, incite violência na cidade. Correspondentes no local afirmam que, apesar de o povo estar revoltado, ainda não houve casos de agressões. A cidade foi palco de uma série de protestos nas semanas que antecederam a execução. Kasi, que tinha 38 anos, morreu repetindo a frase "não há outro Deus a não ser Alá" depois de receber uma injeção letal na Prisão de Greenville, no Estado da Virgínia. Sem remorsos O governador da Virgínia negou os pedidos de clemência da família de Kasi e do governo do Paquistão. Kasi foi considerado culpado pelo assassinato de Lansing Bennet, de 66 anos, e Frank Darling, de 28. Os crimes ocorreram em 1993, em frente à sede da CIA em Langley, na Virgínia. Outras três pessoas foram feridas no ataque. Horas antes da execução, Kasi disse à BBC não sentir remorsos e que havia cometido os crimes para expressar sua revolta contra a "política de antiislamismo dos Estados Unidos no Oriente Médio". O governo americano lançou um alerta sobre possíveis represálias e disse que iria fechar, na sexta-feira, a sua embaixada em Islamabad e os consulados de Peshawar, Lahore e Karachi. Horas depois da execução, uma explosão em um ônibus na cidade de Hyderabad, no Paquistão, matou duas pessoas, mas não se sabe se há uma ligação entre os casos. Greve Jornalistas no Paquistão disseram que pessoas do clã de Kasi, em Queta, fizeram greve nesta sexta-feira, em sinal de protesto e de luto. Enquanto tropas paramilitares armadas com fuzis automáticos patrulhavam as ruas, amigos, parentes e líderes comunitários se reuniam em frente à casa do paquistanês. "Ele é um mártir", disse o irmão de Kasi, Naseebullah, à agência de notícias AFP. Outro membro do clã de Kasi, Mehmood Khan Kasi, disse que a execução iria "espalhar terrorismo". "Nós vamos protestar totalmente contra isso", ele teria dito à agência AP. Execução A morte de Kansi foi confirmada às 21h07 de quinta-feira (0h07 desta sexta-feira, em Brasília). Antes da execução, Kasi se encontrou com dois de seus irmãos, com os seus advogados e com o seu líder espiritual. Nenhum parente das vítimas compareceu à execução. A família de Kasi - com o apoio da embaixada do Paquistão nos Estados Unidos - havia lançado um apelo por clemência de última hora, negado pelo governador da Virgínia, Mark Warner. Um outro apelo, feito à Suprema Corte, também havia sido negado. Entrevista Kasi estava calmo quando foi entrevistado pela BBC, por telefone, de sua cela de segurança máxima. "Sim, eu matei duas pessoas do lado de fora do escritório da CIA, e eu disse isso na minha confissão ao FBI (a polícia federal americana)", disse. "Eu disse a eles que eu queria registrar a minha rejeição à política exterior americana no Oriente Médio, especialmente a política pró-Israel, contra o islamismo e contra os palestinos", afirmou. Ele negou ter qualquer ligação com a organização Al-Qaeda, mas admitiu ter amigos entre os membros do regime Talebã. Kansi também disse ter se encontrado com Osama Bin Laden uma vez. "Eu vi Osama Bin Laden uma vez em Kandahar. Eu estava lá, parado. As pessoas estavam apertando a mão de Osama, e eu também apertei a sua mão", disse Kansi. Mas fez questão de enfatizar: "Ele não me conhecia". Prisão Na semana passada, o Departamento de Estado dos Estados Unidos lançou um alerta mundial a cidadãos americanos para a possibilidade de "atos retaliatórios". Kasi foi preso em 1997, depois de cair em uma armadilha, ao voltar para o Paquistão, montada pelo FBI e pelo governo paquistanês. Em 1993, no dia seguinte aos assassinatos, Kasi voltou para a sua cidade natal e, em seguida
Paquistão põe tropas nas ruas após execução nos EUA
O governo do Paquistão pôs 2 mil policiais e soldados nas ruas de Queta, cidade-natal de Mir Aimal Kasi, que teve a sentença de morte - pelo assassinato de dois agentes da CIA, o serviço secreto americano - executada nesta sexta-feira, nos Estados Unidos. O governo teme que a morte de Kasi, também conhecido como Aimal Khan Kansi, incite violência na cidade. Correspondentes no local afirmam que, apesar de o povo estar revoltado, ainda não houve casos de agressões.
Sexta, 15 de Novembro de 2002 às 12:34, por: CdB