Paquistão pode dar a EUA acesso a viúvas de Bin Laden
Por Kamran Haider e Mark Hosenball
ISLAMABAD/WASHINGTON (Reuters) - O Paquistão pode permitir que os investigadores dos Estados Unidos interroguem as viúvas de Osama bin Laden, de acordo com uma autoridade dos EUA. A decisão pode estabilizar a relação muito tensa entre aliados que piorou depois da ação que matou o líder da Al Qaeda.
No entanto, autoridades importantes do governo paquistanês em Islamabad disseram nesta terça que nenhuma decisão foi tomada sobre o pedido dos EUA.
Bin Laden foi morto no dia 2 de maio em uma ação altamente secreta na cidade de Abbottabad, norte do país. Isso causou embaraços para o Paquistão que negou durante anos que o homem mais procurado do mundo estivesse em seu território.
O governo está sob pressão para explicar como o líder da Al Qaeda foi encontrado na cidade com segurança reforçada em uma curta distância da principal academia militar do país. Além disso, enfrenta críticas internas pelo o que é visto como violação de soberania feita pela tropa de elite dos EUA.
A cooperação paquistanesa é fundamental para combater os militantes islâmicos e para trazer estabilidade para o Afeganistão e a administração dos EUA tem se esforçado para conter as consequências.
Investigadores dos EUA, que analisam a grande quantidade de material apreendido no local onde Bin Laden foi morto, querem interrogar as suas três esposas para rastrear os seus movimentos e identificar as conexões na sua rede global de militantes.
"Os paquistaneses parecem estar dispostos a garantir o acesso. Esperamos que eles confirmem os sinais que estão enviando", disse uma autoridade dos EUA familiarizada com o tema em Washington. Não houve comentário imediato da Casa Branca.
Uma autoridade do governo paquistanês negou que o país tenha concedido permissão para os EUA questionar as mulheres, ressaltando que a equipe local de investigadores ainda tem que terminar os interrogatórios. "É muito cedo para até pensar nisso", disse a autoridade.
O Paquistão disse que as três esposas, uma do Iêmen e outras duas da Arábia Saudita, e os seus filhos serão repatriados. O governo do país está fazendo contato com os países delas que ainda não confirmaram o que vão fazer, afirma a autoridade.
Depois de descobrir Bin Laden em território paquistanês, as suspeitas de que a agência de espionagem do país chamada Inter-Services Intelligence (ISI), que tem uma longa história de contatos com militantes, tivesse laços com o líder da Al Qaeda aumentaram.
Legisladores dos EUA estão fazendo perguntas duras e alguns demandam uma redução na assistência financeira de bilhões de dólares ao país muçulmano que tem bomba atômica.
Mas os EUA não acusaram o Paquistão de abrigar Bin Laden.
"Nós acreditamos que é muito importante manter uma relação de cooperação com o Paquistão. Isso faz parte dos nossos interesses de segurança nacional", disse o porta-voz da Casa Branca Jay Carney na segunda-feira.
Reuters