Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Paquistão mantém cerco a grupo da Al Qaeda

Sexta, 19 de Março de 2004 às 15:50, por: CdB

Forças paquistanesas informaram na sexta-feira que ainda estão travando uma acirrada batalha contra pelo menos 300 militantes estrangeiros e seus aliados tribais paquistaneses, que estão cercados perto da fronteira com o Afeganistão.

Durante quase todo o dia, as tropas bombardearam o grupo pelo alto. Entre os militantes, supostamente ligados à Al Qaeda, pode estar Ayman Al Zawahri, número dois da organização de Osama bin Laden.

"Eles estão cercados e estão tentando romper o cordão para fugir", disse o general Shaukat Sultan em entrevista coletiva na capital, Islamabad.

Ele negou que Zawahri tenha conseguido fugir. "Temos certeza de que ninguém escapou do cordão que criamos em torno desses lugares", afirmou.

Uma fonte governamental disse que os militantes estão cercados em um vale próximo da fronteira com o Paquistão e não têm como receber mais munição. Os combates, segundo a fonte, são intensos, e a noite de sexta-feira pode ser decisiva.

O presidente Pervez Musharraf disse na quinta-feira que a forte resistência apresentada pelos militantes levou os generais a concluírem que os rebeldes estão protegendo um "alvo de alto valor".

Fontes do governo dizem que pode se tratar de Zawahri, mas Sultan afirmou que é impossível confirmar isso.

Zawahri, um médico egípcio, é considerado um dos "cérebros" da Al Qaeda. Ele foi supostamente um dos mentores dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra os EUA.

Milhares de soldados paquistaneses participam da ação em uma área a oeste da cidade de Wana, na Província do Waziristão -- uma região remota, frequentemente sem lei, onde as tribos locais gozam de grande autonomia e costumam ser simpáticas à Al Qaeda.

Fontes ocidentais de inteligência dizem que Zawahri e Bin Laden provavelmente estão próximos um do outro, em algum lugar do Waziristão. Logo depois da fronteira fica a região que os militares norte-americanos consideram ser "o pior lugar do Afeganistão".

Nos últimos dois anos, uma base dos EUA na região foi alvo de frequentes ataques, provavelmente cometidos por militantes que cruzam a fronteira.

RESISTÊNCIA

Uma fonte do governo paquistanês disse, sob a condição do anonimato, que 15 soldados já morreram nos combates desde quinta-feira. "Há uma feroz resistência, mas uma busca casa a casa já começou nos arredores de Shin Warsak", afirmou.

Na terça-feira, primeiro dia de combates, já haviam morrido 16 soldados e 24 supostos militantes. Não há relatos de baixas entre os combatentes islâmicos na sexta-feira.

"Estamos nos aproximando. Sua defesa parece estar se esgotando", disse o brigadeiro Mehmood Shah. "Ou acabou a munição deles, ou eles querem nos surpreender quando nos aproximarmos."

Shah negou a morte dos 15 militares, dizendo que o governo não sofre baixas desde terça-feira.

Os militares dos EUA estão fazendo disparos a partir do lado afegão, e o Afeganistão enviou reforços para a fronteira para impedir a infiltração de militantes.

Rumores anteriores sobre a iminente prisão de líderes da Al Qaeda não deram em nada, mas desta vez, segundo analistas, a violência dos combates indica que há militantes importantes na área.

Por outro lado, o ex-ministro da Defesa do antigo regime islâmico afegão do Taliban, mulá Obaidullah Akhund, disse à Reuters na sexta-feira duvidar da presença de Zawahri ou de Bin Laden ali.

Outra fonte do Taliban negou ter ameaçado se vingar do Paquistão por causa da operação. "Eu não dei tal entrevista", disse Abdul Latif Hakimi a respeito de um vídeo divulgado pela emissora Al Jazeera, no qual um homem com o mesmo nome e o rosto coberto faz as ameaças.

"Cabe ao Paquistão decidir onde quer conduzir uma operação", afirmou ele por telefone à Reuters de um local não revelado. "Que objeção podemos ter, se temos nosso próprio país [o Afeganistão, na verdade ocupado pelos EUA]?"

Um oficial do Exército paquistanês disse que 26 militante

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