O Exército do Paquistão enviou nesta terça-feira tropas de reforço para a operação de tomada da Mesquita Vermelha, em Islamabad, onde radicais ainda mantém reféns depois de uma semana de cerco. Ao menos 50 militantes e oito soldados já morreram na tentativa de tomada da mesquita.
- Não esperávamos uma resistência tão forte - disse o porta-voz do Exército, general Waheed Arshad. - Não sei dizer quanto tempo levaremos até o fim da operação.
No começo da invasão da mesquita, na madrugada desta quarta-feira, Arshad havia estimado que a operação duraria entre três e quatro horas.
O exército do Paquistão anunciou que tomou o controle do edifício da Mesquita Vermelha de Islamabad e de 75% da adjacente escola corânica Jamia Hafsa. Segundo os militares, líderes radicais estão escondidos na madrassa, já que não respondem mais aos tiros das forças de segurança.
As operações foram suspensas até se comprovar se os fundamentalistas cessaram o fogo porque não têm mais capacidade de resposta ou se, pelo contrário, adotaram uma tática de recuar, segundo fontes militares.
O exército acredita que os radicais armados e seu chefe, o clérigo Rasheed Ghazi, estão escondidos nos porões da Jamia Hafsa. Na sua "última mensagem" a seus seguidores, o líder pediu que eles continuem com sua "missão" de "impor a Sharia (lei islâmica)" no Paquistão.
Vinte crianças escaparam com vida durante o tiroteio no complexo situado no centro de Islamabad, onde ficam a Lal Masjid (Mesquita Vermelha) e uma madrassa (escola religiosa) para meninas. Além disso, um grupo de 37 mulheres estudantes da se rendeu durante as primeiras horas do assalto militar ao complexo e outros 30 estudantes foram detidos.
Grandes explosões e tiroteios foram ouvidos na capital e começaram uma hora antes do alvorecer, e mais de três horas depois ainda era possível escutar os sons da batalha, apesar dos tiros serem mais esporádicos.
Segundo as informações do Exército, a operação começou por volta das 4 horas (hora local) desta terça-feira. Por volta das 7h50 (hora local), o porta-voz militar Major General Waheed Arshad disse que mais da metade da mesquita já estava sob controle do Exército.
"O progresso é lento porque eles estão usando mulheres e crianças como escudos humanos. Muitas minas foram colocadas na área e estamos enfrentando uma dura resistência", disse um oficial para a Reuters.
"A mesquita está controlada. Estamos tentando controlar a madrassa. Já controlamos o telhado e agora estamos tentando entrar", disse um oficial da Inteligência.
Cerco
Forças de segurança cercaram o local desde terça-feira da semana passada, quando começaram os atritos entre estudantes radicais armados e o governo.
Forças do governo e religiosos tentaram permitir às mulheres e crianças abrigadas dentro do complexo que saíssem durante as negociações que se arrastaram pela semana.
Buracos foram abertos nas paredes externas do local. Segundo o governo, havia na escola religiosa Jamia Hafsa entre 200 e 500 seguidores de um movimento radical semelhante ao Taleban.
O governo diz que as crianças foram coagidas ou convencidas a ficarem para trás a fim de funcionarem como escudos humanos para os combatentes,
No domingo à noite, as autoridades recorreram a alto-falantes para comunicar o que disseram ser um ultimato.
Ghazi, da Lal Masjid, e seus combatentes ignoraram os apelos e disseram que esperavam que suas mortes servissem de estopim para uma revolução islâmica no país.
Ocupação
Os conflitos começaram na terça-feira, deixando 16 mortos após uma campanha de estudantes pela lei islâmica Sharia. Os estudantes atacaram um posto policial próximo à mesquita. Batalhas de rua logo surgiram, entre policiais que atiravam gás lacrimogênio e jovens armados. Usaram a mesquita como refúgio, assim como um seminário adjunto.
Cerca de 700 estudantes dei