Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Paquistão e Índia renovam promessa de acordo sobre a Caxemira

Sexta, 23 de Julho de 2004 às 06:10, por: CdB

Os governos do Paquistão e da Índia renovaram nesta sexta-feira a promessa de resolver a disputa da Caxemira, pivô de décadas de hostilidades entre os dois países, e se comprometeram a combater o terrorismo.

Após 90 minutos de reunião com o presidente Pervez Musharraf, o chanceler indiano, Natwar Singh, disse a jornalistas que estava deixando o Paquistão com a determinação renovada de avançar no processo de paz entre os dois rivais, ambos donos de arsenais nucleares.

"Ambos os lados reiteraram a importância da continuação do diálogo, em uma atmosfera livre de violência, e do combate à escória do terrorismo com renovado vigor", disse Singh antes de deixar o Paquistão, onde participou de um fórum regional. "Índia e Paquistão estão comprometidos em discutir e resolver todas as questões bilaterais, inclusive a de Jammu e Caxemira, para a satisfação de ambas as partes", acrescentou.

Embora a reunião não tenha produzido resultados concretos, ela pode acalmar muitos paquistaneses que temiam que a volta do Partido do Congresso ao poder em Nova Délhi, ocorrida nas eleições de maio, poderia paralisar o processo de paz. Singh elogiou os contatos "em níveis governamentais e não-governamentais" entre ambos os países e disse estar disposto a "normalizar as relações".

Os dois países já travaram três guerras desde a independência, em 1947, e estiveram próximos de uma quarta, em 2002, depois que militantes ligados ao Paquistão atacaram o Parlamento indiano. Na ocasião, Nova Délhi acabou oferecendo uma trégua, e o esforço diplomático dos EUA evitou um conflito armado.

Até agosto, ambos os lados manterão uma série de reuniões sobre disputas que vão da partilha dos recursos hídricos à situação de um ponto estratégico do Himalaia, o glacial de Siachen, considerado o campo de batalha mais alto do mundo. No começo de setembro, Singh recebe seu colega paquistanês, Khursheed Mehmood Kasuri, para avaliar os progressos no diálogo.

O ex-primeiro-ministro Atal Behari Vajpayee, um nacionalista hindu, fez a primeira oferta de paz em abril de 2003. Ele e o paquistanês Musharraf mantiveram negociações formais a partir de janeiro, mas poucos meses depois a coalizão do premiê indiano foi derrotada nas urnas.

Os dois países já decidiram tomar uma série de medidas para elevar a confiança mútua, como a retomada das linhas de transporte, a ampliação das respectivas missões diplomáticas e a realização de jogos de críquete, esporte muito popular no sul da Ásia, entre as duas seleções. Mas Musharraf insiste em colocar a Caxemira no centro das discussões, o que leva muitos diplomatas e analistas ocidentais a temerem que o processo pare antes de realmente começar.

Dezenas de milhares de pessoas já morreram na Caxemira, o único Estado indiano de maioria muçulmana, desde que a rebelião separatista começou, em 1989. Nova Délhi diz que Islamabad treina e arma os militantes. Os paquistaneses admitem apenas apoio político à causa dos rebeldes muçulmanos.

Soldados indianos mataram durante a madrugada cinco militantes ligados ao Paquistão na localidade de Takipora, 140 quilômetros a noroeste de Srinagar, principal cidade da parte indiana da Caxemira.

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