O Paquistão aprovou oficialmente a proposta de construir uma nova usina nuclear com a ajuda da China, um aliado de longa data, disse o ministro paquistanês das Finanças, Shaukat Aziz, nesta quarta-feira. Aziz, que deve virar primeiro-ministro do país no próximo mês, afirmou a uma TV estatal que a nova usina nuclear custaria 874 milhões de dólares.
A usina de 300 megawatts será construída em Chashma, à beira do rio Indo, cerca de 280 quilômetros ao sul de Islamabad e perto da primeira usina que a China ajudou a construir, em 1999. Em um comunicado oficial, o governo disse que o projeto previa a transferência de tecnologia chinesa para permitir à Comissão Paquistanesa de Energia Atômica (Paec) administrar a usina sozinha.
O comunicado afirmou ainda que o projeto estará concluído dentro de sete anos, mas não foi especificado quando ele começaria a ser implementado. O Paquistão diz que sua nova usina nuclear servirá apenas para uso civil. A Paec e a Corporação Nuclear Nacional da China assinaram o acordo sobre a construção em maio.
O Paquistão está no centro de um recente escândalo de vazamento de tecnologia nuclear. Um de seus maiores cientistas foi considerado culpado de envolvimento em um mercado ilícito de venda de equipamentos atômicos.
O Paquistão construiu sua primeira usina nuclear em 1972, na cidade portuária de Karachi, com a ajuda do Canadá. Mas os países ocidentais, sob pressão dos EUA, suspenderam a colaboração com o governo paquistanês em meio a suspeitas de que Islamabad estivesse desenvolvendo, em segredo, armas nucleares. Em maio de 1998, o Paquistão realizou cinco testes nucleares, logo depois de a Índia, país rival, ter feito o mesmo.