Rio de Janeiro, 23 de Janeiro de 2026

Papa tenta influenciar Igreja latino-americana

O papa Bento 16 abre neste domingo a 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe (Celam), em Aparecida (SP), buscando dar um rumo mais alinhado a sua visão para a Igreja da região e reafirmar o compromisso de seu pontificado com os valores tradicionais do catolicismo. Um dos motivos da viagem do pontífice tem sido alertar os líderes da Igreja na América Latina para o crescimento de outras religiões no continente e chamar os católicos a reagir a este movimento. (Leia Mais)

Domingo, 13 de Maio de 2007 às 08:28, por: CdB
O papa Bento 16 abre neste domingo a 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe (Celam), em Aparecida (SP), buscando dar um rumo mais alinhado a sua visão para a Igreja da região e reafirmar o compromisso de seu pontificado com os valores tradicionais do catolicismo. Um dos motivos da viagem do pontífice tem sido alertar os líderes da Igreja na América Latina para o crescimento de outras religiões no continente e chamar os católicos a reagir a este movimento.

A expectativa é de que o discurso de Bento 16 na conferência, que se estenderá até 31 de maio, seja tão importante para o catolicismo latino-americano quanto a visita do papa. Da reunião de bispos latino-americanos, sairão as diretrizes para a ação da Igreja na região nos próximos anos.

Analistas e bispos avaliam que Bento 16 poderá seguir, na abertura do evento, a mesma linha dura dos discursos feitos nos três primeiros dias no Brasil e o do encontro com os núncios apostólicos da América Latina, realizado em fevereiro, no Vaticano.

Em seus pronunciamentos, o papa condenou o aborto e a eutanásia, criticou o divórcio, as seitas neopentecostais, defendeu a castidade antes do casamento, pediu aos bispos que deixem questões ideológicas de lado e defendeu uma campanha de evangelização.

Contra-ataque

Para os bispos brasileiros que participarão como delegados da conferência, o recado mais importante para a América Latina foi dado pelo papa no discurso aos bispos na Catedral da Sé, na sexta-feira, quando ele falou sobre o "proselitismo das seitas".

A queda no número de católicos é, para muitos bispos, um dos principais desafios da Igreja na América Latina, especialmente no Brasil.

Para contra-atacar, a Igreja estaria apostando no papel dos leigos para ajudar na evangelização da população, ou seja, fiéis educados por padres e bispos - e não só padres e bispos - passariam a trabalhar como missionários da religião.

- A Igreja Católica não é proselitista como essas outras seitas que existem por aí. A Igreja prega apenas a palavra de Jesus, mas não chega com esse fanatismo que oferece soluções fáceis a todos - diz o bispo Orani João Tempesta, da Arquidiocese de Belém do Pará, que está em Aparecida para o encontro do Celam.

- Assim como fez na última sexta-feira, (o papa) deverá falar da influência das pastorais sociais e das comunidades eclesiais de base na Igreja brasileira, com a condição de que mantenham a inspiração no Evangelho - diz o padre José Oscar Beozzo, assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na Assembléia de Aparecida.

O sociólogo Luiz Alberto Gomez de Souza, diretor do Instituto de Estudos Avançados em Ciência e Religião da Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, diz que o papa será conservador no que diz respeito a problemas internos da Igreja, como o celibato, a participação das mulheres nos ministérios e a sexualidade.

- Provavelmente, os temas da doutrina católica não serão o centro do discurso dele - afirma.

Influência do papa

Ao participar da abertura do evento, Bento 16 segue o exemplo do que fizeram outros papas: tenta influenciar os bispos através do discurso inicial.

Na Conferência de Medellín, em 1968, a introdução de Paulo 6º foi cautelosa, mas teve peso ao insistir na existência de uma violência estrutural, silenciosa na América Latina e que os cristãos não tinham o direito de usá-la na transformação política.

Em Puebla, em 1979, João Paulo 2º fez um discurso duro: afirmou que a Teologia da Libertação tinha o marxismo por base, chamou a igreja popular de paralela e propôs as vocações sacerdotais, a famíl

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