Rio de Janeiro, 28 de Março de 2026

Papa reúne muçulmanos para dizer do seu respeito ao Islã

O papa Bento XVI garantiu aos muçulmanos nesta segunda-feira que os respeita e que está comprometido com o diálogo, numa reunião inédita para aplacar a revolta causada por suas palavras. (Leia Mais)

Segunda, 25 de Setembro de 2006 às 09:58, por: CdB

O papa Bento XVI garantiu aos muçulmanos nesta segunda-feira que os respeita e que está comprometido com o diálogo, numa reunião inédita para tentar aplacar a revolta causada pelo uso de citações de um intelectual do século XIV que criticava a disseminação da fé muçulmana pela espada. No discurso de segunda-feira a representantes diplomáticos de cerca de 20 países muçulmanos, além de líderes da comunidade muçulmana da Itália, em sua residência de verão ao sul de Roma, o papa disse que tanto cristãos quanto muçulmanos devem rejeitar a violência.

Vários dos diplomatas que participaram do encontro afirmaram que ele foi importante para ajudar a encerrar a controvérsia que começou há duas semanas, com uma palestra proferida pelo papa na universidade em que já deu aulas de teologia, na Alemanha.

- Acho que este encontro resolveu muitos problemas ... podemos encerrar essa controvérsia - disse Khalil Altoubat, integrante do grupo que faz a interface da comunidade muçulmana italiana com o governo.

O papa não fez nenhuma menção específica à citação que irritou os muçulmanos do mundo inteiro, dizendo que as circunstâncias que tornaram o encontro necessário "eram bem conhecidas".

- Cristãos e muçulmanos precisam aprender a trabalhar juntos ... para se proteger contra todas as formas de intolerância e para se opor a todas as manifestações de violência - disse o papa na reunião.

Foi a quarta vez que ele tentou consertar a situação, sem chegar a fazer um pedido de desculpas inequívoco pelas palavras que disse no dia 12 de setembro. O papa está enfrentando sua mais grave crise internacional desde que foi eleito, em abril de 2005, e a intensidade de algumas das reações suscitou dúvidas sobre a realização da viagem à Turquia programada para novembro. Mario Scialoja, assessor da seção italiana da Liga Muçulmana Mundial, que participou da reunião, disse ter considerado o discurso "muito bom e acolhedor".

- Ele lembrou as diferenças mas manifestou sua disposição de prosseguir com um diálogo cordial e proveitoso", disse Scialoja, que acrescentou que não esperava "um novo pedido de desculpas - disse ele a jornalistas.

O clima da reunião, que durou meia hora e foi transmitida ao vivo pela TV e pela rádio do Vaticano, parecia cordial. Depois do discurso, o papa cumprimentou pessoalmente cada um dos diplomatas e conversou um pouco com eles. Na semana passada, o papa já havia lamentado a reação provocada pela citação das palavras do imperador bizantino do século XIV Manuel II Paleólogo, que criticava o profeta Maomé pela ordem de "disseminar pela espada a fé que pregava".

- Rezo sinceramente para que as relações de confiança que se desenvolveram entre cristãos e muçulmanos ao longo dos anos não só continuem, mas também cresçam mais, num espírito de diálogo sincero e respeitoso - disse o papa no encontro de segunda-feira.

O embaixador iraquiano Albert Edward Ismail Yelda também disse estar satisfeito com o discurso.

- Rezo a Deus Todo-Poderoso que a crise tenha ficado para trás - disse ele a repórteres.

Milhares de muçulmanos fizeram manifestações contra o papa na sexta-feira, em mesquitas do mundo todo, mas a indignação e a dimensão dos protestos parece estar diminuindo.

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