Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Papa não celebra o Angelus mas abençoa fiéis pela janela

Domingo, 27 de Fevereiro de 2005 às 08:17, por: CdB

O Papa João Paulo II, enfermo, não celebrou pela primeira vez em 26 anos de pontificado o Angelus, mas, de maneira inesperada, abençoou da janela de seu quarto no hospital Gemelli os fiéis de todo o mundo.

Sua aparição atrás das janelas do hospital romano surpreendeu, já que não estava prevista por causa de seu delicado estado de saúde e da traqueostomia a que foi submetido na quinta-feira, que o impede de falar.

Sentado em uma cadeira de rodas, com a cabeça inclinada e a sotaina aberta, o Papa abençoou os católicos três vezes, apesar da dor refletida no rosto, e em um momento levou a mão direita à garganta.

Com o gesto, exibido ao vivo pela rede de televisão pública italiana Rai, o Papa confirmou que continua dirigindo a Igreja Católica do hospital, carinhosamente chamado de "Vaticano 3" por causa das muitas internações do Sumo Pontífice no centro médico.

Cercado por seus assistentes, acompanhado pelo cardeal Angelo Sodano, secretário de Estado do Vaticano, o Papa apareceu atrás da janela por alguns segundos, mas a maioria dos fiéis reunidos na Praça de São Pedro e os jovens que compareceram ao hospital para incentivá-lo não conseguiram ver João Paulo II.

A decisão de aparecer na janela foi tomada no último momento, segundo fontes vaticanas, que contaram que nem sequer os técnicos da televisão do Vaticano foram avisados.

Os telões instalados na praça de São Pedro, como é tradição, mostravam apenas uma imagem fixa do Papa saudável. Os fiéis congregados para acompanhar o Angelus, presidido pela primeira vez em 26 anos de pontificado por outro religioso, o arcebispo argentino Leonardo Sandri, não ficaram sabendo que o Papa também apresentou a benção da janela do hospital.

- Peço que continuem me acompanhando sobretudo com vossa oração. - escreveu o Papa na mensagem lida pelo arcebispo argentino Sandri, que fazia referência à dor e ao sofrimento do corpo e da alma.

- O clima da Quaresma que estamos vivendo nos ajuda a compreender o valor do sofrimento de um modo ou outro, porque nos toca a todos. - escreveu.

- Quero que esta mensagem de consolo e esperança chegue a todos, especialmente aos que atravessam momentos difíceis, aos que sofrem com o corpo e com a alma. - acrescentou.

O fotógrafo oficial do Papa, o célebre Arturo Mori, que estava no quarto papal, registrou cada momento.

- Não poderíamos fazer nada melhor. - declarou, satisfeito, o médico Rodolfo Proietti, coordenador da equipe médica que atende o Papa, que se negou a fazer comentários sobre as condições de saúde de seu ilustre paciente.

Apesar da aparição do Papa, protegido do frio pelas janelas fechadas, muitos católicos temem que o pontificado de João Paulo II, um dos mais longos da história, tenha entrado em uma nova fase, com Karol Wojtyla, de 84 anos, sem fala e incapacitado fisicamente.

- Acredito que desta vez se trata de algo mais sério e não me surpreenderia se seu estado for grave. - disse, no sábado, uma fonte eclesiástica que não quis revelar seu nome.

Ninguém sabe quanto tempo o Papa, que sofre do mal de Parkinson, permanecerá internado, nem se o orifício feito em sua garganta para a instalação de uma cânula que facilita a respiração poderá ser suturado, para que possa voltar a respirar sem ajuda.

- Terá que respirar com o tubo por muitas semanas. -  afirmou à imprensa o especialista italiano Giancarlo Cianfrone.

Outro otorrinolaringologista, Marco Ranieri, diretor do Departamento de Emergência e Reanimação do hospital Molinette de Turim, acredita que o Papa poderia ter que manter a abertura de forma permanente.

- Se o mal de Parkinson avançou muito e já comprometeu as vias respiratórias é possível que a cânula seja implantada definitivamente. - comentou.

Então, o Vaticano terá que se adaptar a uma nova etapa.

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