Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Papa Francisco faz apelo por busca da verdade sobre guerra civil

Ao chegar nesta terça-feira a Colombo, o papa Francisco fez um chamado para que se descubra a verdade sobre o que aconteceu durante a sangrenta guerra civil em Sri Lanka como parte de um processo de cura entre as comunidades religiosas, poucos dias após os líderes da ilha durante o conflito terem perdido uma eleição.

Terça, 13 de Janeiro de 2015 às 07:55, por: CdB
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Papa Francisco no aeroporto de Colombo, no Sri Lanka
  Ao chegar nesta terça-feira a Colombo, o papa Francisco fez um chamado para que se descubra a verdade sobre o que aconteceu durante a sangrenta guerra civil em Sri Lanka como parte de um processo de cura entre as comunidades religiosas, poucos dias após os líderes da ilha durante o conflito terem perdido uma eleição. Logo após o desembarque no Sri Lanka, país de maioria budista, Francisco pareceu defender a criação de uma comissão da verdade para investigar os 26 anos de guerra civil, uma promessa eleitoral do governo eleito e empossado na quinta-feira. - O processo de cura também precisa incluir a busca da verdade, não para abrir velhas feridas, mas sim como um meio necessário para a promoção da justiça, da cura e da unidade - disse ele, envolto em uma enorme grinalda de rosas amarelas e brancas. Francisco fez a declaração ainda no Aeroporto Internacional de Bandaranaike, onde foi recebido pelo presidente Maithripala Sirisena, grupos de dançarinos e um coral de crianças. Sirisena disse que a visita é uma bênção para seu governo. O pontífice passou por uma longa fileira de elefantes adornados até chegar a seu veículo branco aberto que logo se viu com dificuldades para avançar por causa do cerco da multidão ao longo da estrada. O lento progresso do carreata fez com que chegasse tarde à capital, Colombo, e cancelasse uma reunião à tarde com bispos. Francisco é o primeiro papa a visitar o Sri Lanka em 20 anos. Os combates entre os tâmeis, majoritariamente hindus, e cingaleses, de maioria budista, terminou em 2009 com uma derrota esmagadora dos tâmeis. A ONU estimou em 2011 que até 40.000 civis morreram no ataque final do Exército. O papa Francisco tem experiência em guerra civil devastadora no período em que era sacerdote na Argentina durante a chamada "Guerra Suja". Um relatório de uma comissão da verdade, de 50.000 páginas, revelou detalhes chocantes de sequestros, estupros e tortura perpetrados pela junta militar Argentina. O papa, de 78 anos, vai passar dois dias no Sri Lanka antes de ir para as Filipinas como parte de uma viagem destinada a reforçar a presença da Igreja Católica em nações em desenvolvimento. A viagem de uma semana é a sua segunda pela Ásia. O papa trazia uma mensagem de diálogo inter-religioso, em harmonia com a busca de harmonia religiosa pelo novo governo. - Meu governo está promovendo a paz e a amizade entre os nossos povos, depois de superar um conflito terrorista cruel. Temos pessoas que acreditam na tolerância religiosa e coexistência com base em séculos de herança religiosa - disse Sirisena. No entanto, Meenakshi Ganguly, diretor da Human Rights Watch no sul da Ásia, demonstrou dúvidas de que o novo governo vá concordar com um inquérito da ONU sobre o fim da guerra. Sirisena era ministro interino da Defesa quando o conflito acabou. - Sirisena também já disse que não vai apoiar uma investigação internacional - disse Ganguly. Cerca de 70 %  dos cingaleses são budistas. Os hindus compõem cerca de 13 %  e há também 10%  de muçulmanos. Os católicos são cerca de 7 %, divididos entre cingaleses e tâmeis étnicos. Francis vai canonizar primeiro santo católico do Sri Lanka na quarta-feira, e visitar um local de peregrinação que foi bombardeado em 1999. O papa pediu uma sociedade mais inclusiva no Sri Lanka, em comentários que pareciam dirigidos ao ex-presidente e líder de guerra Mahinda Rajapaksa, que perdeu o cargo após o ressurgimento das tensões religiosas e indignação por acusações de corrupção.    
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