O papa Bento XVI revelou seus pensamentos mais íntimos sobre o que ele retratou como um mundo estéril, na missa inaugural neste domingo, que se centrou na busca por um renascimento do espírito cristão. Em seu novo papel como pastor da Igreja Católica Romana, o papa classificou o mundo como um deserto de sofrimentos e de um mar de alienação.
- Os desertos externos estão crescendo no mundo, porque os desertos internos se tornaram tão vastos - disse Bento a líderes mundiais e a milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro para a missa inaugural de seu papado.
Há tempos a Igreja vem se preocupando com o fato de o consumismo e da escolha do estilo de vida estejam afastando as pessoas do catolicismo e cegando-as em relação a suas necessidades de fé. O papa Bento 16 assume como líder de 1,1 bilhão de católicos do mundo em uma época em que o número de fiéis está se reduzindo no Ocidente e a Igreja está sob pressão para adequar seus ensinamentos ao que ele chamou de "ditadura do relativismo".
O papa, o antigo supervisor da ortodoxia do Vaticano como chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, se mantém firme. Ele afirmou que os presentes de Deus foram transformados em instrumentos de dor pelos homens, que fizeram mau uso deles em uma busca egoísta pelo poder, deixando as pessoas vazias e sem esperança.
- Os tesouros da Terra não servem mais para erguer o jardim de Deus para que todos vivam neles, mas eles foram feitos para servir aos poderes da exploração e da destruição - disse.
Apenas uma relação viva com Jesus e uma vida abundante em Deus iriam curar a dor do que o papa chamou de desertos da pobreza, fome, sede, abandono, solidão, amor destruído, perda de Deus, da dignidade humana e do significado da vida.
Trabalho conjunto
O papa fez um apelou aos fiéis para que se unam a ele em sua missão de trabalhar pela unidade cristã e espalhar o Evangelho em um mundo que ele descreveu como de "ovelhas perdidas no deserto". Bento usou uma frase dita pelo seu antecessor João Paulo: "Não tenham medo." Assim advertiu as pessoas a não copiarem aqueles que rejeitaram Cristo, porque eles temiam os sacrifícios que o seguimento dos ensinamentos da Igreja acarretariam.
Bento disse à multidão na Praça de São Pedro e a milhões mais que o viam pela televisão que toda pessoa tem sua importância:
- Não somos um produto casual e sem significado da evolução. Cada um de nós é o resultado de um pensamento de Deus. Cada um de nós foi determinado, é amado, cada um de nós é necessário.
O papa reservou suas palavras finais à juventude, que tinha uma relação próxima com João Paulo 2o., encorajando-os a não temer ser "despojados da liberdade" se seguirem a Igreja.
- Quando nos damos a (Cristo), recebemos de volta centuplicadamente. Abram, abram bem as portas para Cristo e vocês encontrarão a vida verdadeira - disse.