Rio de Janeiro, 21 de Maio de 2026

Papa envia cardeal a Moscou em missão 'de reconhecimento'

Segunda, 20 de Junho de 2005 às 16:36, por: CdB

A mais importante autoridade do Vaticano a visitar a Rússia desde o início do pontificado do papa Bento 16 deu início, na segunda-feira, em Moscou, a uma missão que pretende avaliar se há espaço para uma melhora das relações com a Igreja Ortodoxa Russa.

Em um anúncio inesperado, a Santa Sé anunciou que o cardeal Walter Kasper, chefe do Conselho Pontificial para a Promoção da Unidade Cristã e principal homem de Bento 16 para a área das relações entre as fés cristãs, deve passar quatro dias na capital da Rússia.

Mas, de acordo com a agência de notícias russa Interfax, não está previsto nenhum encontro entre ele e o patriarca Alexiy 2o., líder da Igreja Ortodoxa Russa, cujas relações pessoais com o antecessor de Bento 16 estavam abaladas nos últimos tempos.

Segundo o comunicado do Vaticano, Kasper, alemão como Bento 16, havia viajado para dar "continuidade ao diálogo com o Patriarcado Ortodoxo Russo", iniciado com a posse do atual papa.

A partida de Kasper para Moscou era a manobra mais recente da ofensiva de Bento 16 para melhorar as relações da Igreja Católica com outras religiões.

Segundo uma autoridade do Vaticano, a viagem de Kasper teria por objetivo principal sentir o ambiente em Moscou.

Em vez de se reunir com o patriarca, Kasper falará com o metropolita Kirill, chefe de relações exteriores do patriarcado de Moscou que esteve presente no funeral de João Paulo 2o.

"Está proposto...(que ele) discutirá (com o Metropolita Kirill) as perspectivas de cooperação entre as duas Igrejas e os problemas existentes entre elas", disse a Interfax citando declaração do representante ortodoxo Igor Vyzhanov.

A Igreja Ortodoxa Russa, que se separou da Igreja Católica no Cisma do Oriente em 1054, distanciou-se do papa João Paulo 2o., um polonês que lutou contra a União Soviética e que tentou, em vão, visitar a Rússia após a queda do comunismo ali.

"A missão de Kasper é cavar um pouquinho e manter seus ouvidos abertos para ver se os obstáculos existentes no papado anterior podem ser superados", disse o representante.

Depois do fim do regime soviético, segundo acusações dos ortodoxos russos, católicos teriam usado o espaço aberto para atrair fiéis, afastando-os da Igreja Ortodoxa.

O Vaticano nega as acusações de "roubo de almas" e as classifica de infundadas.

Os ortodoxos, organizados sob várias Igrejas nacionais, são cerca de 220 milhões no mundo contra 1,1 bilhão de católicos romanos.

No mês passado, em declarações publicadas pelo jornal Kommersant, Alexiy 2o. disse acreditar que Bento 16 tem as qualidades pessoais necessárias para melhorar as relações com a Igreja Ortodoxa.

Desde o início de seu pontificado Bento 16 tem deixado claro que quer fazer da união entre os cristãos uma marca registrada de seu período no comando do catolicismo. Por várias vezes ele pediu a renovação do diálogo com ortodoxos, protestantes e anglicanos.

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