O papa João Paulo II. enviou uma mensagem pessoal a Nancy Reagan nesta terça-feira, elogiando a "nobre alma" de seu marido e expressando gratidão pelo papel dele na difusão da liberdade no mundo.
"Recordo com profunda gratidão o compromisso firme do falecido presidente com o serviço à nação e com a causa da liberdade", disse o papa em sua mensagem.
O papa também elogiou "a fé constante (de Reagan) nos valores humanos e espirituais que garantem um futuro de solidariedade, justiça e paz em nosso mundo". E acrescentou: "Ao lado de sua família e do povo americano, recomendo sua nobre alma ao piedoso amor de Deus, nosso Pai celeste, e cordialmente invoco a todos os que lamentam sua morte as bênçãos divinas de consolo, força e paz."
O papa costuma expressar condolências pela morte de líderes nacionais através de seu secretário de Estado, por isso foi significativo que ele tenha enviado uma mensagem assinada e pessoal à mulher de Reagan.
Ronald Reagan, que morreu no sábado de complicações do mal de Alzheimer, encontrou-se com o papa polonês quatro vezes enquanto era presidente dos EUA, entre 1981 e 1989.
O papa de 84 anos, cujo país natal fez parte do Pacto de Varsóvia até 1989, compartilhava uma visão anticomunista com Reagan. Historiadores acreditam que a convergência na cena mundial do primeiro papa de um país comunista, de Reagan e do ex-líder soviético Mikhail Gorbachev foi o coquetel político perfeito para a época.
Em um de seus encontros mais importantes, em Miami, em 1987, o papa e Reagan discutiram a estratégia de um objetivo em comum, que era ver uma Europa livre. O papa, que sofreu tanto sob o nazismo quanto sob o comunismo, falou a Reagan de seu sonho de uma Europa que pudesse "respirar com os dois pulmões e estar unida do Atlântico aos Urais". O papa garantiu à Nancy Reagan que estava rezando pelo descanso eterno de seu marido.