Ao mencionar um judeu em seu testamento, o papa João Paulo II deu um sinal para seu sucessor dar continuidade e aprimorar seu histórico de conciliação com o judaísmo, conforme afirmou o ex-rabino-chefe de Roma Elio Toaff. Toaff disse em entrevistas a jornais italianos, publicadas nesta sexta-feira, que se surpreendeu ao ser mencionado com dois prelados católicos romanos.
João Paulo II, o primeiro papa a pisar em uma sinagoga, é visto como o Pontífice que mais ajudou a amenizar as diferenças judaicas com o mundo católico, após o Holocausto.
- É um gesto significativo e profundo para os judeus. Mas acho que é também uma indicação para o mundo católico - afirmou o rabino.
- O papa Wojtyla queria indicar um caminho destinado a destruir ainda mais todos os obstáculos que dividiram judeus e católicos atravéss dos séculos - completou.
Os outros dois religiosos mencionados no testamento do Papa, divulgado na quinta-feira, foram o mentor dele, o falecido cardeal polonês Stefan Wyszynski, e o secretário particular de longa data, o arcebispo Stanislaw Dziwisz.
O Papa estabeleceu relações diplomáticas completas com Israel em 1993 e em 2000 visitou o memorial de Israel para os seis milhões de judeus mortos durante o Holocausto.
Papa deixa testamento que aponta conciliação com judeus, diz rabino
Sexta, 08 de Abril de 2005 às 08:41, por: CdB