Debilitado, o papa João Paulo II deu sua bênção aos fiéis esta manhã de uma janela da Policlínica Gemelli de Roma, depois da reza dominical do Ângelus, feita pelo "número três" do Vaticano, o arcebispo argentino Leonardo Sandri. Com uma voz quase que imperceptível, sentado e protegido por um vidro, João Paulo II pronunciou as palavras do ritual da bênção e finalizou a reza do Ângelus.
O Papa agradeceu ao mundo pela grande preocupação mostrada com sua saúde e disse que ainda "serve à Igreja e a toda a humanidade" a partir de sua cama no hospital. Deixando claro que ainda está à frente da Igreja, ele agradeceu àqueles que rezaram por ele e acrescentou:
- Desta forma, mesmo daqui do hospital, entre outros doentes a quem vão meus sinceros melhores votos, continuo a servir à Igreja e a toda a humanidade.
O Pontífice, internado há cinco dias por um problema respiratório agudo, permaneceu na janela enquanto era aplaudido por centenas de fiéis reunidos no pátio da Gemelli. Esses mesmos aplausos foram repetidos na Praça de São Pedro do Vaticano, onde milhares de pessoas se reuniram diante de dois telões, convocados pela Conferência Episcopal italiana.
O arcebispo Leonardo Sandri agradeceu em nome de João Paulo II todos "que de qualquer parte da Terra" se interessaram por seu estado de saúde e os médicos, enfermeiras e pessoal sanitário que o atende. Antes da reza do Ângelus, fez-se uma nova condenação do aborto e uma defesa da adoção no contexto da "Jornada pela vida" que hoje realizam os bispos italianos.
A aparição do Papa demonstra a melhora em seu estado de saúde. Fontes sanitárias reiteraram neste sábado que sua recuperação é paulatina, embora todas as cautelas deverão ser mantidas para evitar uma recaída. Por enquanto, decidiu-se restringir as visitas, para que seu descanso seja completo. Um novo boletim sobre o estado geral de saúde do Pontíficie será divulgado na segunda.