O papa João Paulo II condenou publicamente na quinta-feira a tortura, prática que chamou de uma afronta intolerável à dignidade humana. A declaração foi feita dias antes de o pontífice receber a visita do presidente norte-americano George W. Bush, atualmente sob pressão devido ao escândalo envolvendo a tortura de prisioneiros no Iraque.
O papa não mencionou o Iraque, mas, no pronunciamento feito diante dos novos embaixadores enviados ao Vaticano, o líder católico falou pela primeira vez em tortura desde a divulgação, no mês passado, das fotos em que soldados norte-americanos aparecem maltratando prisioneiros iraquianos.
"Ouvimos relatos perturbadores de todos os continentes sobre as condições dos direitos humanos, revelando que pessoas - homens, mulheres e crianças - são torturadas e humilhadas, algo que contraria a Declaração Universal dos Direitos do Homem", disse João Paulo II. "Com essa prática, toda a humanidade é ferida e humilhada. Porque todo homem é nosso irmão. Não podemos ficar em silêncio diante de tais ilegalidades, que não podem ser toleradas".
Nas últimas semanas, autoridades do Vaticano vieram a público criticar de forma dura os EUA devido ao escândalo de tortura no Iraque. E o discurso do papa ganha peso devido à proximidade do encontro dele com Bush, previsto para o dia 4 de junho. "É dever de todos os homens de boa-fé, sejam eles importantes autoridades ou cidadãos comuns, fazer o possível para respeitar todos os seres humanos", afirmou João Paulo II.