Rio de Janeiro, 19 de Setembro de 2026

Papa condena abusos no Iraque em rápido encontro com Bush

Sexta, 04 de Junho de 2004 às 12:05, por: CdB

O papa João Paulo 2o. disse na sexta-feira ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que o Iraque tem de reconquistar sua soberania. O papa também condenou os maus-tratos contra prisioneiros iraquianos.

"É desejo de todos que essa situação seja normalizada o mais rápido possível, com uma participação ativa da comunidade internacional e, em particular, da Organização das Nações Unidas, para assegurar uma volta rápida da soberania do Iraque", disse o papa.

O papa, que fez forte oposição à invasão do Iraque, encontrou-se com Bush no Vaticano. Milhares de policiais armados fizeram cordões de isolamento nas ruas de Roma, enquanto manifestantes antiguerra começavam a se reunir para protestar contra a visita do presidente norte-americano.

A reunião privada entre os dois durou 15 minutos. Bush deu ao pontífice de 84 anos a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior comanda norte-americana para um civil.

João Paulo 2o., que sofre do mal de Parkinson, teve dificuldade para falar depois da reunião. Mas afirmou que o encontro aconteceu "num momento de grande preocupação pela situação permanente de grave instabilidade no Oriente Médio, tanto no Iraque como na Terra Santa".

As palavras mais duras foram reservadas para o escândalo de maus-tratos de prisioneiros iraquianos. "Nas últimas semanas outros fatos deploráveis vieram à luz, que inquietaram a consciência cívica e religiosa de todos, e tornaram mais difícil um compromisso sereno e determinado com valores humanos comuns," afirmou. "Na ausência desse compromisso, a guerra e o terrorismo nunca serão derrotados".

O escândalo dos prisioneiros chocou o mundo, irritou os árabes e envergonhou Washington. Na semana passada, o papa condenou a tortura como uma afronta intolerável à dignidade humana. No ano passado, João Paulo 2o. chegou a mandar enviados para Bush e para Saddam Hussein para tentar evitar a guerra. Ele classificou a nomeação de um novo governo como passos animadores na direção da normalização da situação no país árabe.

"Que uma esperança de paz semelhante também se reacenda na Terra Santa e leve a novas negociações, ditadas por um compromisso com o diálogo sincero e determinado entre o governo de Israel e a Autoridade Palestina".

O papa afirmou que a ameaça do terrorismo internacional "continua sendo uma fonte de constante preocupação" e reiterou a condenação dos ataques de 11 de setembro de 2001, "um dia negro na história da humanidade."

Bush respondeu dizendo que seu governo vai trabalhar pela "liberdade e dignidade humanas." Ele não fez menções diretas ao Iraque.

A Casa Branca fez questão de mudar a agenda de Bush para encaixar o encontro com o papa, no que pode ser uma tentativa de agradar eleitores de Estados como Ohio e Pensilvânia, que têm uma população católica significativa.

Bush concorre à reeleição em novembro. Seu adversário, o democrata John Kerry, é católico, e lidera as intenções de voto entre os católicos. Bush pode ter ganho pontos com o elogio do papa à posição antiaborto do presidente norte-americano.

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