Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Papa ainda pode viver vários anos, desde que descanse bastante

Quarta, 02 de Março de 2005 às 15:16, por: CdB

O papa João Paulo 2º ainda pode viver muitos anos, desde que se recupere com calma de sua mais recente crise de saúde e que reduza seus compromissos no futuro, disseram especialistas na quarta-feira.

Aos 84 anos, o papa terá de enfrentar decisões difíceis nos dias e semanas após a cirurgia de traqueotomia a que foi submetido na quinta-feira, para ajudar em sua recuperação, mas é muito possível que ele recupere grande parte de sua forma.

- Se o deixarem descansar e se recuperar, que motivo haveria para ele morrer agora? Nenhum - disse o professor Gianni Pezzoli, diretor da Associação Italiana de Parkinson.

- O papa é um paciente que ainda pode viver alguns anos, embora sempre ficando ligeiramente mais fraco - disse ele a Reuters.

O papa, vítima do mal de Parkinson, foi levado às pressas para o hospital em duas ocasiões no mês passado com dificuldades para respirar, o que obrigou os médicos a realizar a traqueotomia - a colocação de um tubo na garganta para levar o ar para os pulmões.

A preocupação de que ele desenvolvesse uma pneumonia se reduziu, e o Vaticano diz que ele está se recuperando bem, voltando a falar e se alimentando regularmente.

As duas decisões imediatas para a equipe médica, agora, são: quando remover a traqueotomia e quando deixá-lo voltar para casa.

O professor Roberto Filipo, otorrinolaringologista da Universidade Sapienza, em Roma, acredita que os médicos querem tirar o tubo o quanto antes.

- A traqueotomia proporciona um alívio no curto prazo, mas pode causar complicações depois de um longo período porque aumenta o risco de infecções - afirmou.

Mas outros especialistas afirmam que a permanência do dispositivo por algumas semanas permitiria aos médicos manter os pulmões do pontífice limpos, além de lhes dar um acesso de emergência se a respiração voltar a falhar.

Os pacientes de Parkinson perdem o tônus muscular, o que significa que é difícil para eles tossir e retirar o muco dos pulmões. Também é difícil engolir, o que pode fazer com que a comida entre nas vias aéreas e infecte os pulmões.

- Se ele fosse meu paciente, eu a manteria - disse Sotirios Kassapedis, pneumologista do Centro Long Island, nos Estados Unidos.

- Eles têm de ter certeza de que ele está 100 por cento normal.

Se o tubo da traqueotomia for mantido, os médicos podem colocar nele uma válvula automática que permita ao ar chegar às cordas vocais, para que o papa possa falar quando quiser. A voz soaria mais fraca, mas, com a terapia adequada, ele poderia se comunicar com clareza.

O Vaticano ainda não disse quando o papa terá alta, e alguns médicos sugeriram que ele não voltará para casa antes do domingo de Páscoa, em 27 de março.

Kassapedis afirmou, porém, que permanecer no hospital pode ser prejudicial:

- Quanto mais tempo você fica internado, maior é o risco de pegar outra infecção.

Quando voltar ao Vaticano, a prioridade máxima deve ser o descanso.

- Os pacientes em estágio avançado de Parkinson sofrem de fadiga e precisam de muito descanso - disse Sheila Scott, gerente de política social da Sociedade da Doença de Parkinson, em Londres.

Para o professor Pezzoli, o papa possui uma versão de Parkinson de progressão bem lenta. Ele acredita que a doença tenha se instalado há 17 anos. A doença de Parkinson afeta o sistema nervoso, causando tremores, rigidez e lentidão nos movimentos. Não há cura.

O papa apresenta vários sinais clássicos da doença, como a perda das expressões faciais. Mas não há indicações de que ele sofra de outros sintomas possíveis, como depressão, lentidão de raciocínio ou problemas de memória.

Ele parece determinado em continuar chefiando a Igreja Católica. Embora nenhum médico vá se atrever a lhe pedir que deixe o posto, os especialistas afirmaram que sua equipe precisa manter sua carga de trabalho no menor nível possível no

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