Faz muito bem a Caixa Econômica Federal (CEF) em processar os responsáveis pelas auditorias no Banco PanAmericano. Eles alegam que as fraudes foram tão complexas e bem armadas que nem os especialistas encontravam indícios dos desvios de dinheiro ocorridos nas contas do banco.
A suspeita principal dos auditores é que a fraude contábil foi realizada, na realidade, para encobrir uma operação deficitária que teria origem em custos elevadíssimos com comissões para lojistas e demais distribuidores de crédito, todos associados a uma captação de recursos com taxas elevadas no ex-banco de Sílvio Santos.
Lembrem-se que tanto nos Estados Unidos, quanto na Europa, a crise financeira de 2008-2009 (a pior dos últimos cem anos) deu provas mais do que suficientes de que estas empresas que se aliam às instituições financeiras são coniventes, quando não sócias dos bancos.
Auditagem nas auditorias
Coniventes, frise-se, em seus negócios escusos, ilegais e fraudulentos, que protegem apenas os bancos, nunca os correntistas, nem o poupador. Mas, o resultado é que a investigação, ainda em curso pelo Banco Central (BC), já comprovou que o rombo no banco chegou a R$ 4,3 bi, quase o dobro dos R$ 2,5 bi inicialmente revelados.
Por causa de tantas contradições, e por nem eles próprios entenderem até agora o que ocorreu, os novos administradores divulgaram um balanço do PanAmericano só com os resultados de dezembro - um prejuízo líquido de R$ 133 milhões - desconsiderando todo o ano de 2010.
Na realidade, não dá para aceitar, então, o que aconteceu. O caso do PanAmericano é um alerta a todos. Ele revela os riscos que o sistema bancário esconde hoje pela falta de fiscalização e de uma auditagem realmente independente. Sugere, portanto, que o Estado deveria ter um sistema de auditagem destas auditorias.
Rio de Janeiro, 12 de Agosto de 2026
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