Juan Carlos Varela, vice-presidente do Panamá, líder do Partido Panamenhista, e que rompeu com o presidente do país, Ricardo Martinelli, engrossa agora as fileiras da oposição. Apesar da aliança de 26 meses com o chefe de governo, ao ser destituído do cargo de chanceler pelo presidente, levou consigo para a oposição perto de 20 deputados.
Três ministros e cinco vice-ministros passaram para a oposição panamenha. Milton Henríquez, presidente da sigla opositora Partido Popular, deu suas "boas-vindas" a Varella. O episódio comprova a fragilidade da coalisão de direita que se estabeleceu no país a partir de 2009.
O país, desde a ascensão de Martinelli ao governo, iniciou um ambicioso plano de investimentos de US $ 20 bi para se tornar um dos hubs logísticos mais importantes do mundo. No entanto, não faltam críticas à postura autoritária do empresário, que procurou impor ao Parlamento local um projeto de reeleição presidencial – contrário aos preceitos constitucionais locais.
Aumento da dívida externa
Nos últimos anos, Martinelli continuou a política de abertura econômica e de fomento ao investimento estrangeiro, ao mesmo tempo em que iniciou uma política ousada de aumento da dívida externa. Também se notabilizou pelo apoio aos investimentos em mineração no país, iniciativa amplamente criticada pela população indígena, e fonte de violentos confrontos entre governo e civis.
A ampliação do canal do Panamá, no entanto, e grandes obras em curso no país, tem sustentado um crescimento econômico parcialmente baseado em poupança externa. Nesse quadro, o principal obstáculo de Martinelli são os seus projetos de reforma política.
Seus aliados tentaram introduzir a reeleição presidencial, assim como a redução à metade o tempo que um presidente deve esperar antes de recandidatar ao cargo. Ambas as iniciativas traduzem a intenção de o presidente legalizar sua candidatura nas próximas eleições.
Contradições entre grupos econômicos
Para vários analistas, a ruptura entre Marinelli e Varela não passa de uma sucessão de contradições entre os interesses econômicos de seus grupos. Enquanto o primeiro tem força no comércio, o segundo é originário de grupos dedicados à agricultura e à produção de rum.
Nesse meio tempo, um conjunto de importantes dirigentes do PRD, do Partido Popular (antes Democrata Cristão) e de personalidades da sociedade civil convocaram a constituição de um arco de forças para a defesa da institucionalidade e das práticas democráticas.
Pedem a retirada imediata da agenda do Parlamento da proposta de reeleição presidencial. Varela, por sua vez, reafirma que se manterá como vice-presidente, cargo para o qual foi eleito em 2009, e que assistirá às reuniões do gabinete de ministros.
Rio de Janeiro, 31 de Outubro de 2026
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