O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, disse que é "possível" o Brasil crescer 4% este ano, mas negou que o governo esteja revendo a sua projeção de crescimento.
- O governo não mudou suas projeções, estamos vendo analistas mudarem para cima suas projeções. Eu jamais vou brigar com os otimistas - disse o ministro a jornalistas na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Ele disse, contudo, acreditar que o país está entrando numa rota de forte crescimento.
Em sua palestra para os empresários cariocas, Palocci disse que o país conseguiu pela primeira vez reunir os três "pilares fundamentais" para garantir um crescimento duradouro: estabilidade fiscal, controle da inflação e ajuste externo.
- Esses elementos nos permitem pensar que estamos numa rota de crescimento forte e que temos a possibilidade de consolidar um crescimento consistente, duradouro e de longo prazo.
O governo trabalha com uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto neste ano de 3,5%. Algumas consultorias, após recentes dados sobre o desempenho da indústria e do comércio, estão revisando suas previsões para algo mais próximo de 4 por cento.
Até o ministro do Planejamento, Guido Mantega, disse na semana passada que o país irá crescer 4 por cento ou um pouco mais este ano.
A economia brasileira encolheu 0,2% no ano passado. Nesta sexta-feira, milhares de trabalhadores, sindicalistas, sem-terras e desempregados protestaram em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, entre outras cidades, contra a política econômica do governo e a lenta recuperação econômica.
Política correta
O ministro disse que o sucesso da política monetária do governo se deve à autonomia do Banco Central.
- O Banco Central goza de autonomia desde o primeiro dia da nossa posse, o resultado dessa autonomia foi um política monetária que acertou - disse o ministro.
Ele reafirmou que o governo pretende avançar na autonomia da entidade, mas não precisou quando a proposta de independência do BC será encaminhada ao Congresso.
- Essa conquista da política monetária mostrou que esse modelo de funcionamento é o melhor. Se o Brasil pode fazer um avanço institucional nesse sentido que valha para 20 ou 30 anos e isso que nós precisamos começar a fazer.