O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, disse que os juros já desempenharam o papel necessário para impulsionar o crescimento econômico e que agora o país deve investir em uma agenda mais ampla para garantir a continuidade da expansão.
Em discurso durante a posse do novo presidente da Comisssão de Valores Mobiliários (CVM), Marcelo Trindade, o ministro ressaltou ainda que a responsabilidade pela agenda de crescimento não pode ser restrita ao ministério ou ao governo.
A taxa básica de juro do país, que em 2003 chegou a 26,5 por cento ao ano e atualmente está em 16 por cento, é considerada ainda alta pelo setor produtivo para estimular o consumo e os investimentos.
"As taxas de juro já cumpriram o seu papel para a retomada da atividade", disse o ministro no Rio de Janeiro.
"Agora é preciso que o governo se concentre numa agenda muito mais ampla, muito mais complexa, detalhada, muito mais institucional, muito mais exigente da presença de agentes públicos e privados para que possamos trabalhar para aumentar o PIB potencial do Brasil."
Depois de encolher 0,2 por cento no ano passado, a expectativa é de que economia brasileira mostre expansão de 3,5 por cento este ano. Segundo Palocci, o desafio está em manter o crescimento nos anos subsequentes.
"Este ano é um ano de crescimento, mas nós não queremos e o Brasil não pode se dar ao luxo de assistir apenas um ano de crescimento", afirmou, acrescentando que o desafio é conseguir uma década de expansão, com estabilidade, compromisso fiscal e aumento da poupança pública, entre outras reformas.
O Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se na próxima semana para definir a taxa básica do país, mantida em 16 por cento na reunião de maio.