Ministro da Fazenda, Antonio Palocci reuniu jornalistas, nesta sexta-feira, para um balanço da política econômica ao longo do ano que termina, um dia antes de suas férias de dez dias, dois a mais do que no ano passado. Ele garantiu que não tem "nenhuma idéia de ser candidato", mas admitiu que gosta "um pouquinho" da política, embora somente veja duas alternativas para o seu desejo de ser candidato em 2006: "sair imediatamente do ministério ou tomar um banho gelado".
- Eu tenho tomado banhos gelados quando isso acontece, então, tenho mantido a tranqüilidade - sorriu o ministro, diante da possibilidade de assumir a possível candidatura a uma vaga na Câmara Federal, como já havia sugerido, semana passada, a assessores muito próximos.
Palocci, no entanto, garantiu que pretende permanecer no cargo até o final do governo Lula.
- Eu penso que eu devo, até o final do governo do presidente Lula, ajudá-lo naquilo que ele achar que eu devo ajudá-lo, no período que ele achar que eu devo ajudá-lo e na forma que ele achar que eu devo ajudá-lo. Esse é meu compromisso com o presidente Lula - afirmou.
Sobre a economia, Palocci lembrou que o país encerra o ano com avanços importantes. Ele apontou o esforço realizado ao longo de 2005 para garantir que a inflação se mantenha dentro da meta e a economia feita por meio de superávit primário vão ter efeito no ano que vem com o que chamou de "crescimento vigoroso".
O ministro afirmou que o cenário neste final de ano assemelha-se ao do período da transição entre os anos de 2003 e 2004. Em 2003, lembrou, o governo foi obrigado a adotar uma política econômica mais restritiva diante da ameaça da inflação. No ano seguinte, o que se verificou foi o crescimento econômico de 4,9%. Ele lembrou ainda que foram gerados 1,5 milhão de empregos em 2004 e que é exatamente isso que deve ocorrer em 2006.
Em 2005, o crescimento é estimado em torno de 2,5%, contra previsões feitas no início do ano de 5%. Os analistas atribuem o baixo crescimento à política de juros praticada pelo governo que manteve alta a taxa básica (Selic) ao longo do ano. De acordo com o ministro, a tendência é que os juros, que hoje estão em 18% ao ano, caiam durante 2006, favorecendo mais investimentos e crescimento.
Segundo o ministro, a manutenção da política de ajuste fiscal no longo prazo é importante para garantir o crescimento sustentado nos próximos anos. Ele defendeu que numa eventual candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, essa política seja mantida.
- O Brasil precisa de um esforço fiscal de longo prazo. Essa é a minha opinião; agora, como o presidente Lula apresentará essa questão numa eventualidade da candidatura, que eu torço para que aconteça, é uma formulação que ele vai ter que construir. Na minha opinião, o país precisa de um esforço fiscal equilibrado e de longo prazo - disse.
Sobre uma eventual reeleição de Lula, Palocci afirmou que pretende manter-se no cargo até o fim deste governo, mas não sabe se permanecerá.
- O importante é que a política econômica se mantenha e não as pessoas - concluiu.