Rio de Janeiro, 02 de Maio de 2026

Palocci retira-se e Lula busca sucessor

A equipe econômica do governo começou a se desmantelar. O então todo-poderoso ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que a partir deste sábado se retira para um fim de semana prolongado até quarta-feira, poderá estender o descanso por tempo indefinido a partir da próxima semana caso se confirme a hipótese de sua renúncia, conforme avaliam observadores próximos à cena política, em Brasília. As críticas da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, provocaram estragos maiores do que foi constatado na condução da economia brasileira e as recomendações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos seus colaboradores em litígio não surtiram o efeito desejado. (Leia Mais)

Sábado, 12 de Novembro de 2005 às 12:55, por: CdB

A equipe econômica do governo começou a se desmantelar. O então todo-poderoso ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que a partir deste sábado se retira para um fim de semana prolongado até quarta-feira, poderá estender o descanso por tempo indefinido a partir da próxima semana caso se confirme a hipótese de sua renúncia, conforme avaliam observadores próximos à cena política, em Brasília. As críticas da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, provocaram estragos maiores do que foi constatado na condução da economia brasileira e as recomendações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos seus colaboradores em litígio não surtiram o efeito desejado.

O Partido dos Trabalhadores, sob nova direção, emprestou o seu apoio à Dilma na queda-de-braço travada com Palocci por juros mais baixos e maior nível de desenvolvimento, contra a estabilidade fiscal e monetária de longo prazo, chamada pela substituta no cargo do ex-ministro José Dirceu de "rudimentar". Restou ao médico e ex-prefeito de Ribeirão Preto, às voltas com acusações de conivência em operações financeiras ilícitas durante seu mandato, reclamar ao presidente e sinalizar com a possível renúncia nos próximos dias.

A primeira reação à iminente saída de Palocci ocorreu na noite desta sexta-feira, com o anúncio da retirada de Joaquim Levy, secretário do Tesouro Nacional. Ele segue para um cargo, ainda não definido, no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Levy, que esteve nos Estados Unidos esta semana, onde manteve encontros com investidores, desembarcou na manhã deste sábado em Paris, de onde segue para uma visita à Ásia.

A saída de Palocci é dada como certa pelo secretário-geral Luiz Dulce, poderoso conselheiro do presidente e discreto articulador político do governo - um dos últimos remanescentes do "núcleo duro" desde a saída de Dirceu e do antes ministro Luiz Gushiken, hoje secretário de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica. Em conversas isoladas com petistas históricos, Dulce teria vazado que Palocci e Dilma Roussef andam se desentendendo desde o tempo em que ela ocupava o Ministério das Minas e Energia e defendia a queda dos juros como forma de ampliar o ritmo do crescimento brasileiro.

E Lula, embora desejasse a permanência de Palocci no cargo, já veria como encerrada a participação dele na fase de estabilização da economia brasileira e tenderia a apoiar um período de distenção financeira para atender aos programas sociais, a maioria deles emperrada por falta de recursos. Com um impulso maior no desenvolvimento ao longo de 2006, o caminho do presidente para a reeleição seria facilitado também no Congresso, principalmente após a derrota na tentativa de deter a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios, ocorrida nesta sexta-feira, e que vai representar um esforço dobrado para a manutenção dos planos de permanência de Lula no Planalto. O não atendimento a pedidos de parlamentares da base aliada, por força da política de contingência de caixa importa a partir do Ministério da Fazenda, custou caro ao planejamento político da Casa Civil.

No centro do embate estão novamente os "monetaristas" de um lado e os "desenvolvimentistas" do outro. Traduz-se esta disputa por aqueles que, no governo, pregam o investimento imediato no consumo, já a partir deste fim de ano, como forma de promover o desenvolvimento, contra aqueles como Palocci e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, chamado de "tosco" pela ministra Dilma Roussef, que defendem o controle rígido da economia e mesmo a ampliação dos atuais 3,75% de superávit primário para até 6% do PIB, conforme receita do FMI.

Em busca de um sucessor

O ministro Luiz Dulce, com sua forma suave de cruzar os estreitos corredores da política nacional, é um dos emissários do presidente Lula na busca de um nome capaz de manter a face de austeridade do Ministério da Fazenda e, ao mesmo tempo, permitir o desbloqueio dos recursos necessários à pr

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