Definitivamente, as arestas entre a ministra Dilma Roussef (Casa Civil) e Antonio Palocci (Fazenda) estão longe de serem contornadas. A assessores, neste fim de semana, Palocci voltou a comentar sobre seu possível desembarque da equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e já cogita uma eventual candidatura no ano que vem. Ele pretende ser deputado federal por Ribeirão Preto, onde seu conceito ainda é dos mais altos e teria uma eleição tranqüila para o cargo.
O ministro, alvo de pesadas críticas de importantes setores do governo Lula devido à inflexibilidade da política econômica, prepara terreno para sair até março do ano que vem, prazo máximo para desincompatibilização com o cargo que ocupa, com vistas à candidatura a uma vaga na Câmara dos Deputados.
A intenção de Palocci, porém, não passou desapercebida pelo presidente Lula. Na reunião com os ministros, nesta segunda-feira, pouco antes de iniciar o quarto encontro do ano com todas as pastas de seu governo, Lula adiantou a colaboradores na esfera política da sua intenção de fazer uma nova reforma ministerial em fevereiro de 2006, exatamente para dar mais tempo aos possíveis candidatos de se organizarem para a campanha eleitoral. Lula já saberia, então, da forte intenção de um de seus principais colaboradores, de deixar a administração federal.
Para observadores, no entanto, a saída de Palocci já não representa mais os riscos que significava até o mês passado, no auge da crise entre ele e Dilma Houssef. Na ocasião, ele chegou a conversar com o presidente sobre seu pedido de demissão, mas foi aconselhado a permanecer no cargo por mais algum tempo e "esperar a poeira baixar um pouco", como Lula lhe teria dito. Ele seguiu o conselho do chefe mas, agora, sente-se mais liberado para retomar seus planos políticos.
- Um mandato faz falta. Principalmente para o ministro Palocci, que poderá ser, em 2010, candidato ao governo de São Paulo - afirmou ao Correio do Brasil um de seus principais colaboradores.
A presença de Palocci no governo é condicionante para a permanência também do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que pretende concorrer ao governo de Goiás. Este é um desejo de Meirelles desde a eleição de Lula, quando ele renunciou ao mandato de deputado federal pelo PSDB para ocupar a Presidência do Banco.Para o lugar de Meirelles, Lula cogita alguém identificado com uma linha ortodoxa, ma non troppo, enquanto que para o lugar de Palocci o nome que mais trabalha, nos bastidores, é o do senador Aloizio Mercadante. Este já desejava o posto antes mesmo da escolha do ex-prefeito de Ribeirão Preto, embora tenha complicado a própria situação ao se lançar, antecipadamente, na disputa ao governo paulista.