Palocci nega crise no governo e diz que prestará esclarecimentos
O ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, pressionado a explicar seu aumento patrimonial, afirmou na sexta-feira ao Jornal Nacional que não há crise no governo e que prestará todos os esclarecimentos necessários aos órgãos responsáveis.
O ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, pressionado a explicar seu aumento patrimonial, afirmou na sexta-feira ao Jornal Nacional que não há crise no governo e que prestará todos os esclarecimentos necessários aos órgãos responsáveis.
Segundo o ministro, sua consultoria Projeto jamais atuou com instituições públicas para beneficiar clientes do setor privado.
- Não fiz tráfico de influência, não fiz atuação junto a empresas públicas representando empresas privadas... Como eu te provo isso? Tem que existir boa fé nas pessoas - afirmou Palocci.
Questionado sobre se existe uma crise no governo decorrente das acusações de suposto enriquecimento ilícito, Palocci afirmou que "não há uma crise."
- Isso é uma coisa que cabe a mim, não há crise no país, não há crise no governo... Não vou negar que há uma questão dirigida a minha pessoa, com forte intensidade - afirmou.
Essa posição agradou o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (SP), que também ressaltou que o ministro foi enfático ao rejeitar as acusações de tráfico de influência.
- Achei importante a fala dele, principalmente porque é um tema dele e não do governo. Aconteceu antes de ele estar no governo - disse Vaccarezza à Reuters.
Mas as declarações de Palocci não convenceram a oposição. "Foi ridícula (a entrevista), não acrescenta absolutamente nada. Não traz novidade e aumenta as dúvidas sobre a empresa", disse o líder do DEM, deputado ACM Neto (BA).
O presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), também manteve as desconfianças sobre o ministro. "Achei que ele não respondeu às perguntas que todos fazem: para quem trabalhou? Por quanto? E quais serviços ele prestou?", questionou.
Já o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), argumentou que se esses números fossem revelados eles serviriam apenas para criar mais especulações. "A oposição nunca vai se dar por satisfeita. A oposição quer criar desgaste", disse.
- O governo está tocando sua vida, as coisas estão acontecendo normalmente... Vou trazer isso para minha responsabilidade, informando os órgãos de controle - acrescentou.
Novamente, como havia manifestado em notas, Palocci evitou revelar os nomes dos clientes de sua consultoria e argumentou que isso envolveria terceiros em uma crise política que apenas ele deve enfrentar.
- Eu não divulgo o nome de terceiros, o nome de empresas que são idôneas, são empresas renomadas nos seus setores. Porque, como há um conflito político, eu, como homem público, me disponho a dialogar nesse conflito político. Agora eu não tenho o direito de expor terceiros -afirmou.
Pela primeira vez, o chefe da Casa Civil admitiu que o faturamento da sua empresa no ano passado foi em valores "aproximados" de 20 milhões de reais. Contudo, afirmou que não detalharia a receita anual da Projeto.
- Os números da empresa são números que eu gostaria de deixar reservados porque não dizem respeito ao interesse público - argumentou.
A edição da entrevista de cerca de 50 minutos agradou o ministro, segundo relato de um auxiliar do Palácio do Planalto que assistiu o Jornal Nacional com Palocci e que pediu para não ser identificado.
Logo após a aparição de Palocci, o vice-presidente da República, Michel Temer, e o presidente do PT, Rui Falcão, telefonaram para parabenizá-lo, segundo essa mesma fonte.
Estava prevista uma conversa ainda na sexta-feira entre ele e a presidente Dilma Rousseff.
A situação política de Palocci é considerada delicada pelo Palácio do Planalto. Além da oposição, ele precisa convencer os aliados, inclusive os petistas, de que o aumento de 20 vezes de seu patrimônio nos últimos quatro anos ocorreu de forma lícita.
Palocci ainda corre o risco de ser obrigado a ir ao Congresso prestar explicações, depois que a oposição conseguiu aprovar sua convocação.
A permanência do ministro no governo ainda depende da análise da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre os esclarecimentos que prestou sobre a atuação da Projeto e sua evolução patrimonial.
Se o procurador-geral, Roberto Gurgel, decidir abrir uma investigação formal, a situação política do ministro pioraria e as chances de ele sair do cargo aumentariam. Dilma, nesse contexto, teria dificuldades em manter ao seu lado um auxiliar investigado pelo Ministério Público.
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