Rio de Janeiro, 25 de Abril de 2026

Palocci nega candidatura, mas futuro 'a Deus pertence'

Ministro da Fazenda, Antonio Palocci voltou a negar, nesta quinta-feira, que não será candidato nas eleições deste ano. Ele negou também que tenha ocorrido um esquema de propina em Ribeirão Preto, envolvendo o grupo Leão & Leão, do qual recebeu "contribuições declaradas na justiça eleitoral". (Leia Mais)

Quinta, 26 de Janeiro de 2006 às 10:48, por: CdB

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, negou denúncias e se eximiu de responsabilidades em depoimento à CPI dos Bingos nesta quinta-feira. Para a oposição, que lhe concedeu tratamento educado, o ministro não esclareceu todas as denúncias e o relator ainda estudará a inclusão de seu nome no texto final da comissão. Os integrantes da oposição na CPI centraram os questionamentos na conduta dos ex-assessores do ministro durante suas gestões como prefeito de Ribeirão Preto (SP). O objetivo era que Palocci explicasse os critérios para a escolha dos auxiliares.

- Nenhum de nós está acima de qualquer suspeita - disse Palocci, acrescentando que tem provas para se contrapor às acusações.

Palocci também garantiu que não será candidato nesta eleição e acrescentou que "o futuro a Deus pertence". Afirmou ainda que não são verdadeiras as especulações de que teria ameaçado pedir demissão como forma de evitar sua convocação pela CPI. Ele também disse que são inverídicas as informações de que poderia deixar o cargo caso Adhemar Palocci, seu irmão, fosse chamado a depor. O irmão do ministro é acusado de participar de suposto esquema de caixa 2 do PT em Goiás, para o qual teria contribuído a seguradora Interbrazil.

Ele disse ainda que tudo está sendo investigado ("sou o maior interessado") e que está tranquilo sobre os procedimentos de seus assessores, mas admitiu: "Não vou dizer que não haja irregularidade, mas estou seguro sobre minha conduta". Para o ministro, as acusações são "fruto da legitimidade do embate político". Afirmou ainda que as denúncias são "requentadas". Ele já compareceu duas outras vezes ao Congresso para explicá-las.

Quanto às acusações que ex-assessores lhe fazem na prefeitura, Palocci afirmou que vai esperar as investigações:

- Não processei e não vou processar durante as investigações. Depois são outras considerações.

Palocci chegou à sala da CPI acompanhado de uma tropa de choque. Estavam com ele o ministro Jaques Wagner (Relações Institucionais), o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), líder do governo, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e ainda do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Seis assesores do ministro acompanharam o depoimento na sala da CPI, entre eles o secretário do Tesouro, Joaquim Levy. O mercado financeiro reagiu com traquilidade ao depoimento, que levou seis horas.

Propina

Um dos principais alvos da CPI foi o relacionamento de Palocci com o advogado Rogério Buratti, que foi seu secretário de governo na primeira gestão em Ribeirão Preto (1993-1994) e é acusado de receber propina e de usar sua influência junto ao ministro para a renovação de contrato da empresa Gtech com a Caixa Econômica Federal (CEF). Os senadores tentaram averiguar se Palocci continuou mantendo relacionamento com Buratti.

Palocci confirmou que foi amigo de Buratti, mas disse que foi se afastando dele desde uma gravação em que ele dava o resultado antecipado de licitações da prefeitura de Ribeirão Preto. Depois que assumiu o ministério, afirmou que Buratti esteve em sua casa em Brasília uma única vez e que o viu em cerca de quatro outras circunstâncias.

Ribeirão Preto

Ele negou mais uma vez que tenha ocorrido um esquema de propina em Ribeirão Preto, envolvendo o grupo Leão & Leão, empresa fornecedora da prefeitura.

- Quero aqui dizer de forma oficial e categórica que isso não ocorreu. (A Leão & Leão) é uma empresa que presta serviços importantes de infra-estrutura na região - disse.

Palocci lembrou que pediu recursos para essa e outras empresas durante sua campanha para prefeito e que isso está devidamente registrado.

- Essa e mais uma centena de empresas da região contribuíram oficialmente para a minha campanha. Não tem nenhum sentido eu pedir depois uma contribuição extra-oficial para a empresa - lembrou.

O ministro disse ainda que "problemas podem acont

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