Rio de Janeiro, 18 de Setembro de 2026

Palocci não deve rever meta de inflacionária

O governo brasileiro não tem intenção de rever a meta de inflação para 2004, fixada em 5,5%, afirmou nesta quinta-feira o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. (Leia Mais)

Quinta, 27 de Maio de 2004 às 07:22, por: CdB

O governo brasileiro não tem intenção de rever a meta de inflação para 2004, fixada em 5,5%, afirmou nesta quinta-feira o ministro da Fazenda, Antonio Palocci.

- Não vamos rever a meta, o ano está em andamento, a meta está andando também em direção ao que nós prevíamos - disse o ministro a jornalistas. Segundo ele, é preciso lembrar que a inflação vem sofrendo uma queda gradual desde o ano passado.

Segundo o ministro, "em maio do ano passado tínhamos uma inflação de cerca de 17 por cento e, nos últimos 12 meses, esse percentual caiu para menos de 5,5 por cento. Essa é uma conquista extraordinária", observou.

Para o ministro, o aumento do preço do petróleo no mercado internacional, que reflete no custo do combustível no país, não deve ter impacto pesado sobre a inflação.

- O aumento do preço do petróleo é de fato um problema para as economias de todo o mundo, não apenas para a brasileira... Mas não acho que estamos vivendo uma crise similar a da década de 70, acho que é mais uma mudança de preços em função de certas demandas deste período - acrescentou.

O etanol, que é misturado na gasolina, teve aumento de 10% na quarta-feira. As distribuidoras de gasolina do país, inclusive da Petrobras, aumentaram o preço da mistura em 1,5%.

Segundo a ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, esse aumento decorre de um incremento no volume de exportação de álcool no período. Com a alta na cotação do dólar, muitos empresários preferem exportar o produto a colocá-lo no mercado interno.

Desemprego e IR

O ministro da Fazenda disse ainda que o país está contornando os problemas com o desemprego e repetiu explicação dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia anterior de que existe um aumento de vagas de trabalho no interior.

- A geração de vagas de trabalho também está sendo crescente e está batendo recordes... Como a taxa de desemprego é medida pelo número de pessoas que procuram emprego e não pelo número de vagas criadas, você tem ao lado do aumento das vagas aumento das taxas de desemprego - afirmou Palocci referindo-se ao índice recorde de desemprego de 13,1% divulgado nesta semana. "A questão é que os índices de desemprego são medidos nos grandes centros", completou.

Para Palocci, o crescimento do emprego no interior é importante porque altera a relação de êxodo de trabalhadores da zona rural para as grandes cidades. "Essa mudança é benéfica para o país."

O governo brasileiro também não pretende, pelo menos até o momento, fazer alterações na tabela de Imposto de Renda para atender reivindicações, principalmente, de sindicalistas. Segundo Palocci, uma mudança de alteração da tabela está prevista para o próximo ano.

- Vamos preparar uma proposta para 2005, a possibilidade de mudar neste ano nós estamos estudando... Mas é evidente que há dificuldades em fazer mudanças neste ano com o Orçamento em andamento, pois o governo brasileiro tem compromisso de não aumentar a carga tributária - afirmou, acrescentou.

O ministro afirmou ainda que "se pudermos fazer alguma mudança no Imposto de Renda nós vamos fazer, agora eu não vou prometer o que eu não posso eventualmente fazer num ano que o Orçamento está fechado".

Palocci deixou a China nesta quinta-feira, rumo ao Japão. No dia anterior, durante entrevista coletiva, o presidente Lula havia dito que seus próximos esforços para aumentar o comércio exterior do Brasil devem se concentrar no Japão, país que pretende visitar no início do ano que vem.

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