Eduardo Militão
Ao deixar o Palácio do Planalto, após a cerimônia de posse de Gleisi Hoffmann, que passa a substituí-lo, o ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci reconheceu que já não tinha mais condições políticas de permanecer no cargo. Mesmo a decisão do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de não abrir inquérito contra ele foi capaz de arrefecer a sua situação. "O mundo político não toca no mesmo diapasão do mundo jurídico", analisou Palocci.
Para o ministro, o desgaste provocado pelas denúncias sobre seu enriquecimento lhe tiraram as condições políticas de continuar exercendo o cargo, comandando a articulação política do governo. Assim, segundo ele "para ajudar o governo", Palocci preferiu sair.
Ao dar posse a Gleisi, a presidenta Dilma Rousseff classificou como "um momento triste" a saída de Palocci.
O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse esperar que, na esteira da troca de Palocci, o governo promova outras mudanças para melhorar a articulação política e a relação com os partidos aliados.