O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, rebateu nesta terça-feira, na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, as críticas relacionadas à redução de recursos para os fundos de participação de estados e municípios no mês de setembro. Ele compareceu ao plenário na condição de convidado e, ao mesmo tempo, de ministro demissionário, segundo informações vazadas para a imprensa na manhã desta terça. O ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner, chegou a negar oficialmente, no início da tarde, que Palocci deixaria o governo, mas a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) reagiu ao noticiário e operava em queda de 1,74% por volta das 13h.
Wagner, ao negar a saída de Palocci, foi enfático em garantir que o ministro da Fazenda vai permanecer no cargo até o fim do governo Lula:
- Sim. Digo com a maior tranquilidade, essa é a palavra do presidente (Lula). O presidente já disse isso para ele (Palocci) e para seus interlocutores na classe política e empresarial.
Wagner contou que Palocci esteve com o presidente Lula até as 22h30 de segunda-feira. "Saiu sorridente", afirmou.
- Ele está tranquilo. Acho que ele sabe da solidez da sua posição dentro do governo.
O secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, também afirmou que nada muda na posição de Palocci no governo.
- A mesma (posição). Não mudou - disse, pela manhã.
Palocci vem sendo bombardeado pela oposição por denúncias sobre sua gestão na prefeitura de Ribeirão Preto (SP). Também enfrenta "fogo amigo" por parte da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e de dirigentes do PT em relação à condução da política econômica. As desavenças públicas na equipe têm levado o presidente Lula a realizar a defesa dos dois ministros, mas sem censurar as divergências.
Pronta resposta
Convocado pelos parlamentares para esclarecer a perda de transferência alegada por prefeitos e governadores, o ministro ressaltou quer naquele mês a arrecadação do Imposto de Renda teve redução de R$ 174,4 milhões e, como a transferência dos fundos de participação é diretamente vinculada à arrecadação, houve também redução de R$ 100 milhões.
Palocci explicou, porem que isso não é uma tendência, tanto que em outubro a transferência já foi maior. Ele apresentou gráfico que mostra que em setembro de 2004 também houve redução, o que segundo ele caracteriza ser um fator sazonal (específico de determinados períodos).
- As projeções são feitas com base em hipóteses, com as incertezas inevitáveis, até por fatores não-sujeitos a qualquer interferência dos agentes envolvidos. Além disso a transferência está sujeita a fatores sazonais - afirmou.
Cautela
O mercado cauteloso antes da divulgação da ata do Federal Reserve, o Banco Central norte-americano, pressionado ainda pelos índices futuros de Wall Street, que apontavam abertura em queda por causa do avanço do preço do petróleo.
- Hoje temos o depoimento de Palocci e especulações... há dúvida sobre a permanência ou não dele no governo. Também não podemos esquecer que estamos muito perto do topo (recorde histórico), então uma realização acaba sendo natural. O que está motivando é essa questão política - disse Ademir Carvalho, operador da corretora Finabank.
Às 11h31, o Ibovespa exibia baixa de 1,74%, para 30.568 pontos. O indicador fechou no azul nos últimos quatro pregões, acumulando valorização de quase 3 por cento no período. Entre os destaques de queda estavam Petrobras, em baixa de 1,12%, Caemi, em queda de 2,03%, e Usiminas, com recuo de 2,68%.