Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Palocci em Comandatuba

Por Paulo Nogueira Batista Jr - Antonio Palocci tem sido um alvo recorrente desta coluna. Lamento. Nada tenho contra o nosso ministro da Fazenda. Gostaria muito de poder apóia-lo. Mas Palocci não ajuda. (Leia Mais)

Quarta, 21 de Abril de 2004 às 17:56, por: CdB

O ministro Antonio Palocci tem sido um alvo recorrente desta coluna. Lamento. Nada tenho contra o nosso ministro da Fazenda. Gostaria muito de poder apóia-lo. Mas Palocci não ajuda, não colabora quase nunca.
Praticamente não o conhecia quando foi indicado para o cargo. Mas as suas primeiras entrevistas e declarações passaram uma impressão de serenidade e equilíbrio, qualidades muito apreciadas em um ministro da Fazenda.

Só um aspecto me deixou ressabiado desde o início: o tipo de pessoa que elogiava o futuro ministro e comemorava a sua nomeação. Em certos meios - Wall Street, Febraban e adjacências -, Palocci era considerado, já em 2002, "um bálsamo"...

Um bálsamo. Bem. Palocci tem desempenhado com afinco essa função balsâmica. Há poucos dias, abrilhantou um badalado encontro de empresários num hotel de luxo na ilha de Comandatuba, na Bahia. Outra estrela do evento empresarial: Fernando Henrique Cardoso. O ambiente paradisíaco e a presença do eminente sociólogo, conhecido por sua imaginação fantasiosa, parecem ter levado o ministro da Fazenda a um certo delírio. Fez afirmações espantosas e, em certo sentido, constrangedoras.

A imprensa destacou a troca de mesuras e elogios entre Palocci e FHC. Sabemos que os jornalistas estão sempre atentos, às vezes atentos demais, aos escorregões reais e imaginários das autoridades governamentais. Mas os relatos sobre Comandatuba foram mais ou menos convergentes.

A julgar por esses relatos, Palocci parece ter perdido completamente de vista o processo político e social que levou Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. E, de quebra, soltou algumas barbaridades econômicas.

Que cabimento tem, por exemplo, saudar o "equilíbrio econômico" resultante dos esforços de FHC? Há limites, pelo amor de Deus! "Nós observamos o esforço de construção do equilíbrio econômico do país, a sua dedicação e a da sua equipe", disse Palocci, em sua palestra, dirigindo-se ao ex-presidente. Ora, ora, qualquer pessoa que observe, com isenção, os dados macroeconômicos do período 1995-2002, verá sem dificuldade que houve de tudo, menos "equilíbrio econômico".

O que aconteceu nesse período é digno de figurar nos estudos de caso de experiências econômicas extravagantes. Um exemplo: a carga tributária bruta aumentou cerca de 10 pontos de percentagem do PIB em apenas oito anos. Ao mesmo tempo, foram privatizadas muitas empresas públicas, inclusive algumas das melhores e mais importantes. Um estrangeiro ingênuo, que estivesse de passagem pelo Brasil, concluiria com certeza: "Bem, pelo menos devem ter assegurado uma bela diminuição da dívida pública". Nada disso. No período FHC, a dívida pública líquida consolidada quase dobrou como percentual do PIB, passando de cerca de 30% para 56%!

Não precisamos nem discorrer sobre as contas externas. Também nesse terreno houve tudo menos "equilíbrio econômico" durante o período do sociólogo tucano. A combinação desastrosa de sobrevalorização cambial e abertura imprudente da economia, nos campos comercial e financeiro, produziu desequilíbrios enormes no balanço de pagamentos e resultou em rápido crescimento das obrigações internacionais do Brasil. A economia brasileira ficou à mercê das turbulências financeiras internacionais, tornando-se vítima preferencial de choques externos.

Diante dessa magnífica herança, poucos discordavam da idéia de que o ministro Palocci tinha que trilhar o caminho da cautela, quando tomou posse em 2003. Mas o que novo governo anunciou, num primeiro momento, é que a cautela e continuação das políticas anteriores constituíam um "programa de transição" que criaria as condições para realizar, numa segunda etapa, as promessas de mudança econômica com que se comprometera Luiz Inácio Lula da Silva antes e depois das eleições de 2002.

Evidentemente, esse compromisso nada tinha de acidental, uma vez que refletia o profundo e generalizado descontentamento dos brasileiros com os resultad

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