Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Palocci cai, mas ortodoxia do BC continua

Segunda, 27 de Junho de 2011 às 05:40, por: CdB

Apesar da queda da inflação e dos sinais de freada na economia, o seleto clube do Copom preferiu ouvir os banqueiros

27/06/2011


Altamiro Borges

 

O seleto clube do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) parece que é mais realista do que o rei. Antonio Palocci, o homem de confiança do “deus-mercado” já dançou, mas mesmo assim o BC se curvou às pressões da oligarquia financeira e voltou a elevar os juros em 0,25% – o quarto aumento consecutivo no governo Dilma Rousseff.

De nada adiantou a queda da inflação nas últimas seis semanas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a alta dos preços refluiu em velocidade e atingiu em maio o menor nível desde outubro de 2010. A inflação do mês passado, de 0,47%, foi bem menor do que em abril (0,77%).

Também de nada adiantaram os dados preocupantes de retração da economia, decorrentes da manutenção do tripé neoliberal de juros altos, superávit primário e libertinagem cambial. A produção da indústria paulista, por exemplo, teve queda de 3,8% no último período – no país inteiro, a retração foi de 2,1% entre março e abril.

Apesar da queda da inflação e dos sinais de freada na economia, o seleto clube do Copom preferiu ouvir os banqueiros. Antes da reunião, o tal “mercado”, expressão sacana que esconde a gula rentista dos especuladores, já dava como certo o quarto aumento da Selic. A pressão do deus-mercado foi violenta – sempre com o bumbo barulhento da mídia rentista.

A própria demissão do ministro Antonio Palocci foi usada como desculpa para justificar um novo aumento dos juros, como prova de que reinaria a calma no tal “mercado”. Na consulta que o BC faz semanalmente a cerca de 90 instituições privadas, a maioria delas ligadas ao sistema financeiro, a pressão foi explícita por novo um novo aumento da Selic.

Com a alta dos juros e as medidas do governo de restrição ao crédito, a tendência é a diminuição do consumo interno – como consequência, de retração da produção e queda na expectativa de geração de emprego e renda. Além disso, o arrocho monetário eleva a dívida pública, forçando o Estado a manter ou enrijecer os cortes nos investimentos públicos. Os juros elevados também atraem mais capital especulativo, valorizando artificialmente o real – o que prejudica as exportações e incentiva as importações.

Em síntese, a última decisão do Copom é um completo desastre. E, assim como o caso Palocci, também “sangra” o governo Dilma, que durante a campanha eleitoral se comprometeu com a queda dos juros e com o desenvolvimento econômico do país. Sendo que, em caso de retração da economia, os estragos serão bem maiores.

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