O calvário está no fim. Com uma vitória por 2 x 0 sobre o Marília, na noite deste sábado, no Parque Antártica, o Palmeiras praticamente garantiu seu acesso à primeira divisão em 2004.
Com os gols de Baiano e Lúcio, a ascensão oficial virou uma questão meramente burocrática, de tempo. Afinal, para não subir, o Palmeiras precisaria perder seus dois últimos jogos, para Sport e Botafogo. Além disso, cariocas e pernambucanos teriam que derrotar o Marília - e, mesmo que tudo isso aconteça, o Sport ainda terá que superar o saldo de gols do Palmeiras, que hoje leva uma vantagem de seis sobre os rivais.
Com a derrota, o Marília fica numa situação difícil: agora, o time do interior paulista tem que vencer seus dois últimos jogos e torcer para que nem Sport nem Botafogo consigam vencer o Palmeiras.
A festa das mais de 28 mil pessoas que compareceram ao Parque Antártica neste sábado começou bem cedo. Com apenas dois minutos de jogo, Baiano arriscou um chute de fora da área, no meio do gol. O goleiro Mauro falhou e permitiu o primeiro gol, para delírio dos torcedores que ainda se ajeitavam entre bandeirões, fumaça e papel picado usados para recepcionar o Palmeiras.
A partir daí, ou seja, durante quase todo o primeiro tempo, o cenário era de dois ataques criando oportunidades. O Marília principalmente com Camanducaia, que aos 6 minutos chutou por cima de Marcos e aos 31 exigiu espetacular defesa do goleiro pentacampeão do mundo. O Palmeiras, por sua vez, chegava à área adversária com facilidade, principalmente nos contra-ataques, puxados por seus dois velozes atacantes, Vágner e Edmílson. Baiano quase marcou pela segunda vez, numa cobrança de falta espalmada por Mauro.
Mas o segundo gol saiu mesmo com o outro lateral do time, Lúcio. Numa arracanda pelo lado esquerdo, aos 35 minutos, o jogador, que tem sido um dos mais importantes do time nessa fase final, acertou um lindo chute de longa distância, de fora da área. A bola, cruzada, entrou no ângulo oposto do gol de Lauro. Um golaço.
No segundo tempo, o Marília voltou mais perigoso do que os donos da casa. E em apenas 10 minutos criou quatro boas oportunidades: duas em cabeceios dentro da área, uma num chute de longa distância e outra numa arrancada de Camanducaia pela direita. Aos 20, Basílio teve outra boa chance, mas chutou por cima.
Vendo seu time tomar pressão, Jair Picerni resolveu fazer duas alterações. Ele colocou Muñoz no lugar de Edmílson, e Adãozinho na vaga de Élson. Aos 22 minutos, o atacante colombiano, que havia entrado há apenas cinco minutos, quase marcou o terceiro, exigindo ótima defesa de Lauro. Aos 28, Muñoz novamente foi protagonista ao fazer bom lançamento para Baiano, que finalizou alto demais.
Depois disso, pouca coisa aconteceu. Aliás, nos minutos finais, o que aconteceu dentro de campo foi quase um detalhe. Pois a principal atração era mesmo a festa da torcida, que, entre faixas coloridas e mais papel picado, comemorava antecipadamente, com gritos de "É Campeão!", o que parece ser inevitável: a volta do time à primeira divisão. Tudo isso menos de um ano depois do rebaixamento, naquele fatídico 4 x 3 para o Vitória, no dia 17 de novembro de 2002.
Palmeiras 2 x 0 Marília
Palmeiras
Marcos, Baiano, Gláuber, Leonardo e Lúcio; Marcinho, Élson (Adãozinho), Magrão (Corrêa) e Diego Souza; Vágner Love e Edmílson (Muñoz).
Técnico: Jair Picerni
Marília
Mauro, Rogério Souza (Romualdo), Adeílson, Wladimir e Galego; Adílson, João Marcos, Éder (Bill) e Bechara (Daniel); Basílio e Camanducaia.
Técnico: Luiz Carlos Ferreira
Data: 15/11 (sábado)
Local: Parque Antártica, em São Paulo-SP
Árbitro: Cléber Welington Abade (SP)
Assistentes: Nílson de Souza Monção (SP) e Giovani César Canziani (SP)
Cartões amarelos: Mauro, Adeílson, Edmílson, Gláuber, Camanducaia, Adãozinho e Marcinho
Gols: Baiano, aos 2, e Lúc