Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Palestinos vêem <i>Gandhi</i> em apelo à não-violência

Quarta, 06 de Abril de 2005 às 18:32, por: CdB

Um empresário norte-americano exibiu na quarta-feira uma versão em árabe do filme Gandhi (1982) para os palestinos, numa tentativa de incentivar métodos não-violentos na rebelião contra Israel.

O premiado épico sobre o líder pacifista indiano Mahatma Gandhi será exibido em vários locais da Cisjordânia e da Faixa de Gaza ao longo da próxima semana. O empresário Jeff Skoll disse à platéia de Ramallah que o presidente Mahmoud Abbas aprovou a iniciativa.

Skoll é fundador e presidente do site de leilões eBay e se reuniu com Abbas junto com o astro do filme, Ben Kingsley. "Ele foi agradável conosco e apoiou o projeto", disse Skoll.

Nos campos de refugiados e em outros redutos da militância palestina, muitos vêem o moderado Abbas com desconfiança. O presidente também já enfrentou protestos violentos de facções que não estão dispostas a entregar suas armas.

"Ele Gandhi foi um herói, e leal ao seu povo. Foi isso que fez os indianos acreditarem na sua pregação pacífica", disse Fahima, moradora do campo de refugiados de Jalazon, na Cisjordânia. "Nossos líderes não são leais à nossa causa."

"Respeitamos Gandhi, que libertou o seu povo, mas a nossa única escolha aqui é a luta armada", disse Hassan Yousef, líder do grupo militante islâmico Hamas, que tem como objetivo destruir Israel e para isso já cometeu inúmeros atentados suicidas. "Os israelenses nos empurraram para isso", afirmou Yousef.

As pesquisas mostram que 70 % dos palestinos se opõem aos atentados suicidas -- um reflexo da ampla consternação com a tática que atraiu forte represália israelense e é rejeitada pela opinião pública mundial.

"Gandhi é um modelo que pode ser aplicado em qualquer lugar, a qualquer momento. Seus valores valem para todas as nações, inclusive para os palestinos", disse Hanna Elias, que produziu a versão em árabe do filme.

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