Foi para os ares parte do muro que separa a Faixa de Gaza e o Egito, em uma ação promovida, na madrugada de quarta-feira, por militantes do Hamas. Dezenas de milhares de palestinos entraram em terras egípcias para conseguir armazenamento de alimentos e combustíveis que faltam em Gaza devido a um bloqueio de Israel. Moradores de Rafah, sul da Faixa de Gaza, disseram que um grupo de militantes, incluindo membros do Hamas, realizaram uma série de explosões durante a madrugada, demolindo cerca de 200 metros do muro da fronteira. O Hamas negou envolvimento na ação.
- Trouxe tudo o que preciso para a casa para os próximos meses. Comprei comida, cigarros e até diesel para o meu carro - contou Mohammed Saeed.
A polícia do Egito mobilizada para reforçar a segurança na fronteira ficou praticamente imóvel e permitiu aos palestinos passar, segundo testemunhas. Na semana passada, Israel fechou sua fronteira com a Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas, cortando suprimento de combustível para a principal usina de energia do território e para postos de gasolina, além de ter barrado entrega de ajuda à região, que inclui alimentos e outros suprimentos humanitários. O país disse que fez isso para impedir o lançamento de foguetes por militantes contra o sul de seu território.
Bloqueio
Nos últimos meses, a fronteira tem estado praticamente fechada, em um acordo entre Israel e Egito. Uma mulher de Gaza que cruzava a fronteira com o Egito, disse:
- Nós estamos indo visitar nossa família. Eles estão todos lá. Não os vejo há dez anos.
Na terça-feira, Israel aliviou o bloqueio temporariamente, permitindo que fossem levados remédios e combustível para Gaza.
Grupos militantes islâmicos ameaçaram explodir a cerca no início da semana. Em 2005, militantes do Hamas abriram buracos na cerca com o Egito depois da retirada das tropas israelenses da Faixa de Gaza.
A passagem de milhares de palestinos para o Egito, nesta quarta-feira, ocorre um dia depois de a polícia egípcia ter impedido um protesto de mulheres em Rafah.
Na terça-feira, enviados palestinos e israelenses se confrontaram durante um debate sobre o bloqueio israelense no Conselho de Segurança da ONU. O observador palestino acusou Israel de insuflar a violência, enquanto o enviado israelense respondeu que seu país tinha que proteger seu povo dos ataques com foguetes.
O Conselho estava considerando um pedido de líderes árabes e islâmicos para permitir a livre entrada de ajuda humanitária para Gaza, em meio ao crescente descontentamento internacional com o que a União Européia chamou de “punição coletiva” aos 1,5 milhão de moradores do território.
Mas o representante israelense Gilad Cohen negou que Israel estivesse violando as leis internacionais.
- É dever de todos os Estados garantir o direito à vida e segurança de seu povo, especialmente contra atos cruéis de violência e terrorismo - disse ele, acrescentando que Israel iria “garantir o bem-estar humanitário” em Gaza.