Os palestinos marcaram o "Nakba" (catástrofe) de 1948 com sirenes e o presidente Mahmoud Abbas disse que não pode haver paz sem a reparação aos refugiados retirados pela criação de Israel.
Os palestinos saíram de carros e ficaram em silêncio por dois minutos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza para lembrar a criação de Israel, que eles consideram o seu desastre.
Milhares de palestinos fizeram protestos e disseram que o plano de Israel de retirada de Gaza não lida com o que chamam de "direito de retorno" dos refugiados para o que hoje em dia é Israel. O Estado judeu considera isso um suicídio demográfico.
Abbas, 69 anos, que participou do êxodo de refugiados quando era garoto, deixou um discurso gravado antes de viajar ao exterior.
- Paz, segurança e estabilidade no Oriente Médio dependem de uma solução justa para uma causa justa com base na legitimidade internacional, que é o direito do nosso povo de estabelecer um Estado independente com Jerusalém como sua capital e encontrar uma solução justa para o tema dos refugiados, seguindo a resolução (da Assembléia Geral da ONU) 194 - disse.
O Nakba relembra como 700.000 palestinos fugiram ou foram retirados do que hoje é Israel - o país celebrou sua independência na semana passada, uma semana depois que sirenes relembraram as vítimas do Holocausto.
Os refugiados palestinos somam hoje 4 milhões de pessoas em Gaza, na Cisjordânia e em outros países.
- Não vou aceitar todo o dinheiro na Terra como compensação ao invés de voltar a Hamama. Prefiro morrer em casa - afirmou Yousseff Abu Sultan, 70 anos, que mora em um campo de refugiados em Gaza. Hamama era a terra-natal de Sultan, que fica perto da cidade litorânea israelense de Ashkelon.
Em discurso para o Nakba, o primeiro-ministro palestinos, Ahmed Qurie, disse que "nossa ferida ainda está sangrando 57 anos depois".
O vice-primeiro ministro de Israel, Ehud Olmert, disse que as manifestações palestinas são contra a paz.
Palestinos cobram direito de retorno dos refugiados
Domingo, 15 de Maio de 2005 às 15:32, por: CdB