Os palestinos anunciaram o início das negociações indiretas com Israel, com mediação dos Estados Unidos que, por sua vez, alertaram a ambos os lados para não minarem os esforços de paz. "Posso declarar oficialmente hoje que as conversas de aproximação começaram," afirmou o negociador palestino Saeb Erekat a repórteres após o presidente, Mahmoud Abbas, ter se encontrado com o enviado dos Estados Unidos ao Oriente Médio, George Mitchell, em Ramallah.
Reproduzindo um pedido dos Estados Unidos para uma futura mudança em direção a negociações diretas, e refletindo as baixas expectativas públicas de progresso, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que a paz será impossível sem contatos diretos.
"Se ele (Netanyahu) anunciar uma paralisação completa da construção de assentamentos, haverá negociações diretas," rebateu Erekat.
Netanyahu, que lidera um governo de coalizão dominado por partidos pró-assentamentos, rejeitou a paralisação da construção de casas judaicas nos territórios ocupados. Pouco após o anúncio, o secretário adjunto de Estado norte-americano, Philip Crowley, afirmou em comunicado que "como ambos os lados sabem, se algum tomar atitudes significativas durante as conversas de aproximação e que nós julgamos que irão minar seriamente a confiança, responderemos para mantê-las sob controle e garantir que as negociações continuem."
Os palestinos dizem que os Estados Unidos deram garantias de que o país agirá se qualquer lado fizer algo que prejudique as conversas. Para eles, isso significa uma garantia de que Israel não vai anunciar a construção de novos assentamentos.
O impasse quanto aos assentamentos forçou Mitchell a procurar uma nova forma de conduzir as negociações entre ambos os lados, cujas conversas foram, em sua maioria, diretas desde o início do processo de paz no Oriente Médio, no começo dos anos 90.
Os palestinos consentem que as negociações são um avanço, embora modesto, para as tentativas do presidente norte-americano, Barack Obama, de reiniciar as conversas de paz, suspensas há 18 meses. Estados Unidos e Israel têm exortado Abbas a concordar em negociar.
"Temos uma oportunidade," disse Eretak, listando as fronteiras de um futuro Estado palestino e a segurança como principais focos nas negociações.
Mitchell, que retornará ao Oriente Médio na próxima semana, não teceu comentários públicos desde que a OLP (Organização pela Libertação da Palestina) aprovou quatro meses de negociações indiretas no sábado.
Os palestinos querem estabelecer um Estado na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, tendo Jerusalém como capital. Israel capturou essas regiões na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e considera Jerusalém sua capital, uma reivindicação que não é reconhecida internacionalmente.
Natanyahu afirmou que as conversas indiretas começariam "sem condições prévias," uma aparente referência às demandas dos EUA e dos palestinos para frear a construção de casas para judeus perto e dentro da Jerusalém Oriental.
Netanyahu afirmou que "as conversas de aproximação devem se tornar conversas diretas em breve. A paz não pode vir pela distância ou com controle remoto."
Um assistente de Netanyahu, que pediu para não ser identificado, disse que o primeiro-ministro está considerando a criação de um pacote de gestos de boa vontade em relação aos palestinos se as negociações indiretas vingarem.