Palestinos acusam Israel de tentar sabotar o processo de paz
A Autoridade Palestina denunciou na quinta-feira o anúncio do governo israelense em que aprova o plano de construção de 296 unidades habitacionais para judeus na Cisjordânia, no assentamento de Beit El, perto do centro administrativo palestino, Ramallah.
Colonos judeus reassentados desde um local ilegal a outro, para a colônia Beit El, perto de Ramallah, onde o governo israelense anunciou a construção de quase 300 novas casas
A Autoridade Palestina denunciou na quinta-feira o anúncio do governo israelense em que aprova o plano de construção de 296 unidades habitacionais para judeus na Cisjordânia, no assentamento de Beit El, perto do centro administrativo palestino, Ramallah. O governo palestino havia demonstrado a sua preocupação pela falta de congelamento da construção ilegal em território palestino, uma das suas condições para a retomada das negociações com Israel.
O anúncio israelense de construção de mais unidades habitacionais em colônias judias ilegais na Cisjordânia, além das denúncias diárias de graves violações de direitos humanos e de ataques militares contra a Faixa de Gaza, das quais a última foi feita na quarta-feira, deveriam servir aos atores internacionais como demonstração da falta de comprometimento de Israel com o chamado “processo de paz”.
Depois da visita do presidente dos EUA Barack Obama e do seu secretário de Estado John Kerry à região de Israel e Cisjordânia, ambos pediram a retomada das negociações de paz e o comprometimento das partes com o processo, embora não tenham exigido de Israel medidas importantes e fundamentais para o estabelecimento de alguma confiança dos palestinos no comprometimento israelense.
Nesta quarta, fontes oficiais palestinas acusaram as forças militares israelenses de invadirem o território da Faixa de Gaza com veículos militares e escavadeiras protegidas por quatro tanques militares, que arrasaram terras agricultáveis enquanto atiraram em várias direções, forçando os agricultores a fugirem.
Na mesma ocasião, barcos da marinha israelense também dispararam contra pescadores palestinos enquanto pescavam dentro do limite permitido, de três milhas náuticas (acordado em negociações da década de 1990 é de 20 milhas náuticas, ou 37km).
Sabotagem ao processo de paz
Enquanto nesta quarta o Representante Especial da União Europeia para o Processo de Paz no Oriente Médio Andreas Reinicke pedia o apoio das partes à retomada das negociações proposta por Kerry, o porta-voz do governo palestino Nabil Abu Rudeineh considerou o anúncio israelense de mais construções uma tentativa de sabotar o processo de paz e os esforços declarados pela administração estadunidense.
Reinicke havia dito que é preciso “dar a Kerry uma chance, e deveríamos encorajá-lo e apoiá-lo em sua iniciativa de retomar as negociações”, mas fez estas declarações em Ramallah, onde o compromisso com o processo é declarado.
O representante europeu disse serem necessárias “negociações substanciais, que ponham fim às reivindicações e ao conflito”, e que os europeus estão preocupados com o risco posto à solução consensual internacionalmente de dois Estados, o que se traduz essencialmente na ocupação militar israelense e na contínua construção de colônias em terras palestinas.
Abu Rudeineh, neste sentido, considerou o anúncio israelense uma mensagem à administração israelense e uma derrota ao processo de paz, afirmando que “o governo de Israel tem como objetivo conduzir a região à violência, ao invés da paz e da estabilidade”.
Reinicke afirmou que os europeus vêm apoiando a Palestina em muitos sentidos, e que reconhecem a capacidade da Autoridade Palestina institucionalmente para o estabelecimento do Estado, oficialmente. Além disso, lembrou que a comunidade já reconheceu esta situação, em 2012, na Assembleia Geral da ONU, quando reconheceu o “Estado observador não-membro” da Palestina.
O europeu disse que os 27 membros da UE reconhecem o risco posto pela construção de assentamentos ilegais e por outras políticas da ocupação israelense, que prejudicam fundamentalmente a economia palestina.
Além disso, as autoridades palestinas também denunciaram, na quinta-feira, o anúncio de demolição de nove casas na região de Hebron, Cisjordânia, em que cerca de 60 pessoas residem.
Rateb al-Jabour, coordenador do comitê popular local de resistência, disse em entrevista à agência palestina Wafa que uma força militar, com membros da administração civil (gerida pelo governo israelense), invadiram a vila e entregaram a notificação de demolição às famílias. Al-Jabour disse que este é mais um método usado para forçar ativistas locais a deixarem as suas terras.
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