Rio de Janeiro, 09 de Maio de 2026

Palestinos abrem fronteira de Gaza com o Egito

Sexta, 23 de Setembro de 2005 às 06:10, por: CdB

As autoridades palestinas abriram temporariamente na sexta-feira, apenas para viagens urgentes, a principal passagem fronteiriça de Gaza com o Egito. A passagem havia sido fechada há duas semanas pelas tropas israelenses que deixaram a região.

O terminal de Rafah irá reabrir durante 48 horas para palestinos que trabalham, estudam ou precisam de atendimento médico no exterior, segundo o Ministério do Interior palestino e uma importante autoridade egípcia da fronteira.

Israel fechou a fronteira devido à falta de acordo sobre como conter o tráfico de armas para militantes palestinos. Uma porta-voz do Ministério da Defesa israelense disse que a abertura foi autorizada "durante dois dias por razões humanitárias".

Todos os viajantes precisam ter carteira de identidade palestina ou um passaporte estrangeiro, para evitar o caótico dilúvio de palestinos que entraram no Egito durante vários dias a partir de 12 de setembro, quando Israel completou a desocupação da Faixa de Gaza, que durou 38 anos.
As autoridades palestinas disseram que o terminal será fechado novamente no domingo, até que um acordo mediado pela comunidade internacional decida como será organizado o tráfego de pessoas da fronteira Gaza-Egito.

Israel disse pouco antes da desocupação que fecharia a fronteira de Rafah durante seis meses enquanto não se resolve com os palestinos a questão de como conter o tráfico de armas.

Os palestinos afirmam que o "unilateralismo" israelense provocou a desordenada violação da fronteira por dezenas de milhares de palestinos de Gaza, que durante anos foram proibidos de viajar para o exterior.

- passagem está totalmente operacional. Não ter israelenses no controle aqui é uma sensação maior do que posso descrever - disse Nazmi Muhana, coordenador dos postos de fronteira palestinos, por telefone do terminal de Rafah.

Israel diz desconfiar da capacidade palestina de conter os militantes, e por isso, apesar da desocupação da Faixa de Gaza, manteve o controle sobre as fronteiras, o espaço aéreo e o acesso marítimo ao território. Os palestinos afirmam que isso é uma continuação da ocupação.

Nos primeiros dias após a desocupação, as autoridades não conseguiram conter o fluxo de gente que queria visitar parentes ou fazer compras no Egito. Foram necessários vários dias para que palestinos e egípcios consertassem as várias brechas abertas na barreira fronteiriça.

Autoridades israelenses disseram na segunda-feira que o país aceitou em princípio que a União Européia patrulhe o terminal de Rafah, algo que vai além da monitoria européia já discutida. Os palestinos já haviam aceitado a presença da UE.

Tags:
Edições digital e impressa